sexta-feira, 22 de agosto de 2014

O Deus dos mórmons é o mesmo do cristianismo?

O Mormonismo encontra-se dentro de algumas estatísticas como uma das denominações cristãs evangélicas, mas será que suas crenças têm embasamentos bíblicos que confirmam tal identificação com o cristianismo histórico? Podemos considerar os mórmons como cristãos autênticos segundo as Escrituras? É o que veremos com esse breve estudo.
A começar pela pessoa de Deus, podemos perceber que a doutrina mórmon é bem diferente da tradição cristã. Desde o início da igreja primitiva, a ideia da Triunidade de Deus, ou seja, de um único Deus subsistindo em três pessoas distintas, sendo elas Pai, Filho e Espírito Santo, é uma questão aceita pelo cristianismo. Importantes concílios da igreja, a partir de 325 d.C, trataram da questão, chegando à conclusão a respeito da unidade e triunidade de Deus. Entretanto, os mórmons usam textos como Mateus 3.16-17 para apoiarem a ideia de politeísmo, em que Pai, Filho e Espírito Santo são três personagens distintos de Deus, não sendo apenas um, mas três deuses. Diante do exposto, é fácil perceber que a crença mórmon não é a mesma dos cristãos. Diante disso, uma pergunta não se cala: quem está certo, afinal?

A Bíblia, a revelação dada por Deus aos homens, ensina-nos que Yehowah, a saber, o Deus verdadeiro, é único, enfim, é uma unidade (cf. Dt 6.4,32,39; 2Sm 7.22; Sl 86.10; Is 44.6; Mc 12.29; Jo 5.44; 17.3; Rm 3.29-30; 16.27; 1Co 8.4; Gl 3.20; Ef 4.6; 1Ts 1.9; 1Tm1.17; 2.5; Tg 2.19; 1Jo 5.20-21; Jd 25). As mesmas Escrituras também nos dão evidências claras e convictas de que, mesmo sendo único, Deus também é triúno, existindo três pessoas distintas nEle (Mt 28.19; 2Co 13.13; 1Pe 1.2; Is 63.7-9). A Bíblia considera Deus não apenas o Pai, mas também o Filho (cf. Jo 20.28; Hb 1.8) e o Espírito Santo (cf. At 5.3-4). Isso é impossível, diria os teóricos da física e a lógica humana! O princípio da impenetrabilidade da matéria afirma que “dois corpos não podem ocupar o mesmo espaço simultaneamente”, não é mesmo? Só que não podemos nos esquecer de que Deus é e está acima da existência desse mundo, sendo Ele Espírito (cf. Jo 4.24), não podendo ser compreendido plenamente por suas criaturas (cf. Rm 11.34; Is 55.9).

Baseados nas Escrituras Sagradas, regra de fé e prática dos cristãos, podemos confiar na doutrina da Trindade, afinal, a Palavra de Deus nos apresenta:
  • A existência de um único Deus verdadeiro.
  • A existência de três pessoas reconhecidas como Deus.
  • A existência das três pessoas em um único ser, que é Deus. (Norman Geisler e Ron Rhodes)

Sendo assim, acredito que temos condições para afirmar que a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, apesar de ter o nome de Cristo em sua denominação, não prega o mesmo Deus que os cristãos conhecem por meio das Escrituras Sagradas.
Prefiro confiar nesse Deus Pai, Filho e Espírito, que é o único Deus verdadeiro, capaz de operar e manifestar a graça dEle sobre nós.


Pr. Pablo Rodrigo Ferreira

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Guarda do Sábado: para os crentes de hoje ou não?

Grupos religiosos como os Adventistas do Sétimo Dia alegam que os cristãos violaram o mandamento do Sábado, como do Dia do Senhor, baseando-se especialmente em textos como Gênesis 2.2-3 e Êxodo 20.8-11, que fazem menção à santificação desse dia por Deus.

É verdade que em vários textos bíblicos vemos a menção da guarda do Sábado e isso não se deve questionar, contudo, o que se faze necessário para uma boa compreensão do texto bíblico é o princípio proposto por Deus ao trazer o mandamento. Para isso, vale a menção do Sermão do Monte (Mt 5-7), quando Jesus Cristo fez questão de ensinar que os mandamentos dados a Moisés precisavam ser compreendidos e vividos em seus princípios, não apenas em seus cumprimentos literais. Esse ensino de Jesus abre portas para passarmos à compreensão correta a respeito do Sábado.

Partindo desse pressuposto, o que Deus quis, desde a criação, ensinar a respeito do Sábado? Antes, porém, precisamos refletir sobre algo: Deus se cansa? Ele literalmente se fadigou com o trabalho da criação? É claro que não! Se lermos Isaías 40.28, dentro do seu contexto, podemos observar que os atributos de Deus não permitem o cansaço, seja ele de ordem física ou mental. Fica óbvio que Deus não pode se cansar e que essa construção da frase apenas é um recurso didático utilizado por Ele para trazer identificação com a sua criatura, captando a sua atenção, a fim de que o seu ensino fosse melhor assimilado. Portanto, qualquer leitor bem intencionado e sincero entenderá que Deus propôs o Sábado para ressaltar o princípio de descanso, a fim de cultivar a prioridade na adoração humana a Ele, além de preservar a integridade física, mental e social da sua criação. Deus não desejava – e ainda não deseja – ver a cobiça escravizando a sua criação, afastando-a do culto a Ele.

Entendido o princípio, podemos continuar a tratar o assunto com transparência e sinceridade. Se o que Deus deseja ensinar é a necessidade humana de descansar e priorizar a adoração a Ele, o cristão precisa observar o sábado assim como o povo de Israel, do Antigo Testamento? Vejamos o que a Palavra de Deus nos ensina. Paulo, aos Colossenses escreveu:
Tenham cuidado para que ninguém os escravize a filosofias vãs e enganosas, que se fundamentam nas tradições humanas e nos princípios elementares deste mundo, e não em Cristo. [...] Nele também vocês foram circuncidados, não com uma circuncisão feita por mãos humanas, mas com a circuncisão feita por Cristo, que é o despojar do corpo da carne. [...] Quando vocês estavam mortos em pecados e na incircuncisão da sua carne, Deus os vivificou juntamente com Cristo. Ele nos perdoou todas as transgressões, e cancelou a escrita de dívida, que consistia em ordenanças, e que nos era contrária. Ele a removeu, pregando-a na cruz [...] Portanto, não permitam que ninguém os julgue pelo que vocês comem ou bebem, ou com relação a alguma festividade religiosa ou à celebração das luas novas ou dos dias de sábado” (Colossenses 2.8,11,13-14,16).

Um leitor honesto das Escrituras facilmente entenderá e aceitará que o apóstolo Paulo buscou conduzir todo cristão ao exercício da liberdade no relacionamento com Deus, enfim, a uma vida livre da escravidão do cumprimento das ordenanças como um meio de cultivar um relacionamento com Deus. O texto ensina que as restrições alimentares do Antigo Testamento não são para os cristãos (cf. Mc 7.14-19; At 10.9-15; Rm 14.17; 1Co 8.8; 1Tm 4.1-5; Hb 9.9-10), assim como as festividades do calendário judeu não necessitam ser cumpridas pela igreja. Os sacrifícios mensais oferecidos no primeiro dia de cada mês (cf. Nm 10.10; 28.11-14; Sl 81.3) também não precisavam ser observados pelos crentes em Jesus, bem como os Sábados.

A mensagem apostólica, fundamentada no Evangelho de Cristo, é para todos da Nova Aliança, para a igreja, logo, todo cristão não deve cultivar a literalidade da guarda de mandamentos da lei mosaica, como do Sábado, mas a liberdade em Cristo, que não compactua com o legalismo religioso (cf. Gl 5.1).  Essa liberdade está na vida que busca agradar a Deus nos princípios de seus atos e não no cumprimento literal de datas, festividades ou o próprio Sábado. É só lermos Colossenses 2.16 e seu contexto para chegarmos a essa conclusão a respeito da Graça Superabundante.

“Mas Paulo pregava nas sinagogas aos sábados”, dizem os defensores do Sábado! Não é que eles têm razão nisso! Pois bem, isso nada mais, nada menos, significa que Paulo – como um judeu, aproveitava os cultos judáicos nas sinagogas para anunciar o evangelho. Provavelmente se ele fosse num domingo, teria o êxito missionário comprometido por falta de ouvintes! E esse mesmo Paulo que pregava nas sinagogas aos sábados é o que também escreveu:
O ministério que trouxe a morte foi gravado com letras em pedras; mas esse ministério veio com tal glória que os israelitas não podiam fixar os olhos na face de Moisés por causa do resplendor do seu rosto, ainda que desvanecente. Não será o ministério do Espírito ainda muito mais glorioso? Se era glorioso o ministério que trouxe condenação, quanto mais glorioso será o ministério que produz justiça! Pois o que outrora foi glorioso, agora não tem glória, em comparação com a glória insuperável. (2 Coríntios 3.7-10)

O apóstolo estava dizendo que a lei mosaica talhada nas pedras, o que incluía o Sábado, era transitória e queria direcionar aquilo que não era transitório, a saber, a revelação em Cristo. É isso que significa a fala de Jesus, afirmando que estava cumprindo a lei, outrora dada, para apontar a necessidade da redenção plena e perfeita!

Mas a igreja deve observar o princípio de descanso e adoração a Deus? Claro que sim! O domingo foi o dia que a igreja cristã passou a se reunir, pois esse era o dia em que o Senhor da Nova Aliança (Jesus Cristo) havia ressuscitado (cf. Mt 28.1; Mc 16.2,9; Lc 24.1; Jo 20.1,19). A igreja primitiva se reunia no domingo em culto ao Senhor e o mesmo apóstolo Paulo, num domingo, reunia-se em culto ao Senhor (cf. At 20.7; 1Co 16.2). Ah, o apóstolo João recebeu a visão de Cristo no Dia do Senhor! Sabe que dia é esse dentro de todo o contexto do Novo Testamento? O dia em que o Kyrios, o Senhor Jesus, ressuscitou dos mortos, e não o Sábado dos Judeus. Portanto, afirmar que o Domingo só passou a ser usado para o Culto através do Imperador Constantino (séc. IV d.C.) é um erro histórico e de interpretação bíblica infantil. O que Constantino fez foi promover o Natal cristão no dia 25 de dezembro no lugar de uma antiga festa pagã no Solstício de Inverno, início do inverno no Hemisfério Norte.

Lembremos que o apóstolo Paulo, ao referir-se à tradição judaizante, disse: “Estas coisas são sombras do que haveria de vir; a realidade, porém, encontra-se em Cristo” (Colossenses 2.17). O Sábado, portanto, é apenas uma sombra da redenção verdadeira que viria em Cristo! Se esse homem usado por Deus nos ensinou o que é a Graça em Cristo, vivamos essa Graça em nossos dias, buscando viver – pela ação do Espírito Santo – os princípios dos mandamentos e não a literalidade das ordenanças.

Pr. Pablo Rodrigo Ferreira

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

ASSÉDIOS PERIGOSOS


Muitas propostas nos assediam para ir contra a vontade de Deus! Esses dias recebi um folheto em questão e ao ler o seu conteúdo, lembrei-me dos tempos de Moisés, percebendo que realmente não há nada novo debaixo dos céus, afinal os pecados de ontem se repetem hoje, mesmo com roupagens diferentes, e ainda continuam iludindo a muitos. Nas ruas dos grandes centros, não é incomum vermos como Satanás continua se apropriando da idolatria e da corrupção do homem, a fim de levá-lo para um emaranhado de mentiras. Diante disso, gostaria de lhe convidar a refletir comigo sobre o nosso papel como cristão nesse mundo. Se eu recebi esse folheto é porque existe alguém que se propõe a oferecer tais serviços já há 26 anos e, se existe alguém assim, é porque existem pessoas que ainda hoje procuram tais "soluções" e pagam por isso, não é mesmo? 



Portanto, nós, povo escolhido de Deus, precisamos nos lembrar do que Deus nos ensina para que apresentemos aos perdidos. A Palavra de Deus diz: "Não recorram aos médiuns, nem busquem os espíritas, pois vocês serão contaminados por eles. Eu sou o Senhor, o Deus de vocês" (Levítico 19:31). No Novo Testamento encontramos o seguinte alerta: "Ora, as obras da carne são manifestas: imoralidade sexual, impureza e libertinagem; idolatria e feitiçaria; ódio, discórdia, ciúmes, ira, egoísmo, dissensões, facções e inveja; embriaguez, orgias e coisas semelhantes. Eu os advirto, como antes já os adverti, que os que praticam essas coisas não herdarão o Reino de Deus" (Gálatas 5:19-21). 

Se recebemos isso da parte de nosso Deus, precisamos nos apropriar dessa verdade e anunciar o relacionamento de segurança que Deus dá a todo aquele que confiar em Jesus Cristo. Portanto, irmãos, vivamos e anunciemos a Palavra de Deus que liberta o homem da mentira!



terça-feira, 5 de agosto de 2014

TAPINHAS NAS COSTAS

“Eu sempre recebia atenção. Não importava onde eu estivesse ou com quem, as pessoas sempre notavam a minha presença. [...] Entretanto, toda essa atenção teve um custo. Embora eu gostasse da atenção que recebia de tantas pessoas, ela me escravizou. Eu exigia perfeição de mim mesmo. Tantas pessoas haviam me colocado em um pedestal, e eu queria estar naquele pedestal. Eu achava que precisava alcançar as suas expectativas em todos os aspectos e em todas as áreas. [...] Eu estou servindo um senhor cruel. Mas não é Deus quem me governa nesse caso. É o meu próprio orgulho e egocentrismo que exigem a perfeição. [...] Cristo, pela Sua graça salvadora, obteve vitória sobre o medo que escraviza e eu não preciso nunca mais voltar a temer.”
Os trechos do testemunho que acabamos de ler é de Max Benfer, um homem que enfrentou o que a Bíblia chama de “temor de homens”. Talvez a sua história seja totalmente inversa ao de Max; talvez, sempre se sentiu como o “patinho feio” e isso tem lhe pressionado nos relacionamentos com a família, na escola, no trabalho, na igreja, enfim, na vida. Quer semelhante ou oposto, hoje, quero lhe convidar a perceber que todo esse desejo de sentir-nos valorizado é algo que esconde o nosso orgulho, ou seja, é a nossa tentativa de não depender de Deus e, sim, de nós mesmos, dos nossos próprios recursos.
“Quem teme ao homem arma ciladas, mas o que confia no Senhor está seguro” (Provérbios 29.25). O que a Palavra de Deus nos ensina nesse trecho é que a pessoa que vive buscando a aprovação e o reconhecimento das pessoas se afunda no medo da rejeição, que por sua vez, esconde o seu orgulho. Deus deseja que conheçamos a segurança que Ele dá a todo aquele que busca um relacionamento de confiança nEle. Isso não significa que, a partir de hoje, devemos desprezar as pessoas que nos cercam, mas apenas devemos nos preocupar mais com o que Deus pensa a nosso respeito ao invés do que os outros pensam. E sabe o que Deus pensa a nosso respeito? Ele sabe que precisamos da sua Graça em Jesus Cristo e deseja que aproveitemos esse amor dEle em nosso favor, a fim de que a Glória seja dada a Ele e não a nós! “Portanto, quer comais quer bebais, ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para glória de Deus” (1 Coríntios 10.31).
Pablo Ferreira

sexta-feira, 11 de julho de 2014

MINISTÉRIO: como perdê-lo?

Meu povo foi destruído por falta de conhecimento. "Uma vez que vocês rejeitaram o conhecimento, eu também os rejeito como meus sacerdotes; uma vez que vocês ignoraram a lei do seu Deus, eu também ignorarei seus filhos. Quanto mais aumentaram os sacerdotes, mais eles pecaram contra mim; trocaram a Glória deles por algo vergonhoso. Eles se alimentam dos pecados do meu povo e têm prazer em sua iniqüidade. Portanto, castigarei tanto o povo quanto os sacerdotes por causa dos seus caminhos, e lhes retribuirei seus atos. "Eles comerão, mas não terão o suficiente; eles se prostituirão, mas não aumentarão a prole, porque abandonaram o Senhor para se entregarem à prostituição, ao vinho velho e ao novo, o que prejudica o discernimento do meu povo. (Oséias 4:6-11)

Um dia, por causa da sua corrupção, por agir em não conformidade com o propósito do seu chamado, o povo de Israel perdeu sua posição de privilégio, ou seja, deixaram de fazer parte dos planos de Deus para conduzirem as outras nações à verdadeira adoração. Deus ensinou aquela gente de que o ministério dado por Ele não é para o usufruto próprio, mas para a glória dEle, que chama, capacita e envia aos perdidos.

Israel perdeu esse grande privilégio na história, mas hoje, também vemos que muitos têm aproveitado mal o ministério que o Senhor lhes conferiu. Mas que ministério é esse? Somente pastores o possuem? Não, aprendemos pela Bíblia que todo crente em Jesus tem o precioso ministério de refletir a glória de Deus ao mundo, por isso, todos nós, igreja de Cristo, hoje, temos a oportunidade de refletirmos como nós temos exercido o nosso ministério?

A condução de Deus da história nos ensina e precisamos nos atentar ao passado para que não deixemos o presente reproduzir aquilo que um dia o próprio Deus repudiou. 

terça-feira, 8 de julho de 2014

BRASIL MASSACRADO


É bem verdade que nesses momentos, surge a grande oportunidade para o sensacionalismo, não é mesmo? Nossa reflexão não tem esse objetivo, mas é bom aproveitarmos o calor das emoções do futebol para pensarmos um pouco sobre a nossa vida como brasileiro, especialmente, os cristãos! É visível como o futebol - esse esporte envolvente, que abre portas para relacionamentos no mundo inteiro e ao anúncio do Evangelho - mexe com os sentimentos de inúmeros brasileiros, ainda mais, quando o país do futebol é humilhado com uma sonora goleada de 7x1. O futebol não deixa de ser esse instrumento que atrai as pessoas para relacionamentos, todavia, precisamos pensar: temos nos revoltado ou chorado com tamanha intensidade pela nossa corrupção (não só com as dos políticos) da nossa gente; pelo título de país da desigualdade; pela impunidade desenfreada; pela incoerência entre a promoção cada vez mais apelativa da bebida alcoólica e o discurso politicamente correto contra as drogas; pelo "jeitinho brasileiro" em detrimento do trabalho honesto; pela imoralidade do nosso povo exaltada pela mídia nacional e mundial; pelos carnavais e micaretas - defendidos como cultura - que produzem tanta devassidão na alma da nossa gente; pelos "pastores" midiáticos que abusam de uma fé gananciosa de nossa gente; pela comodidade da igreja brasileira, que prefere os bancos confortáveis do templos ao invés do envolvimento com gente carente da graça que só Cristo pode dar; enfim, temos nos indignado com os verdadeiros massacres da vida? Choramos ou nos indignamos com aquele viaduto que matou gente de família na mesma Belo Horizonte, palco do mar de lamentos futebolísticos? Todos os dias nosso país, nossa gente tem sido massacrada, sem a paz que acalenta o espírito, sem a graça que nos motiva a prosseguir com esperança, uma esperança que vai muito além de uma taça perecível de uma Copa. Não deixamos de ser brasileiros por essa derrota no futebol, não deixamos de ser gente por causa da humilhação nos gramados, mas temos sido menos brasileiros e menos gente com tantos massacres desprezados pelo nosso país, pela nossa gente! Os resultados do futebol não definem a vida, mas como os valores do nosso povo estão invertidos, nos chama muito a atenção para reflexões urgentes. Precisamos de solidariedade para os que verdadeiramente sofrem. Precisamos de justiça para os injustiçados. Precisamos de envolvimento para causas mais perenes e realmente nobres. Enfim, precisamos de vida nova, e essa vida, só quem pode dar ao nosso povo é Cristo, o Senhor da igreja! "E conhecereis a verdade e a verdade vos libertará." Deus abençoe o nosso país e nos livre do maior dos massacres: o da cegueira do pecado!

terça-feira, 1 de abril de 2014

O DIA DA MENTIRA E O CRENTE

Dizem que hoje é dia da mentira. Sinceramente não sei o motivo que escolheram o 1º de Abril como esse dia e pouco importa sabermos isso. O que realmente é importante para nós crentes em Jesus é não viver na mentira, não é mesmo? A Palavra de Deus nos mostra que Ele é a verdade e não há nenhum engano nEle (Jo 14.6; Tt 1.2; Tg 1.17). A Bíblia também nos ensina que o pai da mentira é o diabo (Jo 8.44). Mas o que é mentira? Será que é somente deturpar a verdade? Existem diversas maneiras de mentira, inclusive a ilusão ou a negação de si mesmo. A mesma Bíblia que nos ensina sobre a verdade e a mentira, é a Palavra que nos apresenta como pecadores (Rm 3.23; 5.12; Sl 51.5). É esse pecado que muitas vezes nos conduz a mentir para nós mesmos, não assumindo as nossas mazelas, nos enganando, enfim, nos iludindo. Nosso orgulho, a dureza do nosso coração! Existem muitos crentes em Jesus que vivem na mentira, não assumem seus pecados, buscam sempre se forjar de uma capa de santidade, mas no fundo no fundo não passam de hipócritas, que não se dobram com as suas transgressões diante de Deus e dos homens. Não quero dizer aqui que devemos sair postando nas redes sociais, colocando nos outdoors, enfim, divulgando para todos quais são os nossos pecados. Não é isso que faz de um homem menos hipócrita, mas a sinceridade de lidar com os seus pecados, reconhecendo que eles existem e precisam ser vencidos pela graça que há em nós, nos dada pelo Espírito de Deus. Só dizer que reconhecemos os nossos pecados também não nos faz menos mentirosos; precisamos sim reconhecer os pecados que nos assediam diariamente, mas não devemos assumí-los como um bichinho de estimação ou darmos a eles a roupagem de doença. O mesmo salmista que reconheceu o seu pecado é quem nos ensina que um coração quebrantado é o que nos faz autênticos diante de Deus, nos conduzindo ao aconchego do Pai celestial (Sl 51.17). Por isso, no dia da mentira, que possamos, todos nós, rompermos com as nossas mascaras e nos encarar com a humildade de quem deseja de uma vez por todas se livrar das amarras do orgulho que nos ilude. Já dizia a canção: "A começar em mim, quebra corações..."

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

ORDENAÇÃO FEMININA AO MINISTÉRIO PASTORAL


Queridos irmãos e amigos, aqui vai um comentário respeitoso de um jovem pastor. Acredito que pelos princípios batistas, já que afirmamos ter a Bíblia como regra de fé e prática, podemos afirmar que toda ordem estipulada nesse mundo, seja ela de caráter eclesiástico ou não, deve se sujeitar às Escrituras Sagradas. Se alguém conseguir defender - com argumentos honestos - de que a ordenação feminina ao ministério pastoral é bíblico, quero retirar tudo o que aqui for escrito. A ordenação feminina não fere questão de gênero, mas uma questão crucial de ordem da criação divina e ordem hierárquica estipulada por Deus entre homem e mulher, seja na família, seja na sociedade. Só uma pergunta, como uma mulher vai exercer autoridade espiritual sobre homens, sendo que em casa ela deve se sujeitar a autoridade de seu marido, inclusive espiritual? A questão não é sociológica, como afirmam, mas teológico-bíblica. Queridos, diante dos fatos vistos no decorrer da história da igreja, é melhor ser taxado de radical, tentando se apegar à verdade, do que de liberal, abrindo mão de princípios fundamentais das Escrituras. Portanto, com todo respeito aos muitos anos de ministério de muitos amigos e irmãos...não basta se envergonhar tão somente, como servos de Deus, precisamos nos posicionar... pagar um preço pela verdade e não se dobrar aos comodismos do sistema. Que Deus nos oriente a tomar as decisões certas...e não as convenientes!A esse comentário, recebi as seguintes reações:


1. Pastor, quem ordena são homens, mas o Espírito Santo é que concede dons, logo as mulheres podem receber o dom de pastoreio.

Minha resposta para nossa reflexão: Com todo respeito, seria uma boa análise, se não fosse os falsos silogismos que a análise possui. As Escrituras não se contradizem... o mesmo Deus que outorgou autoridade é o que delega funções na igreja... A Bíblia é clara, agora, cada um tem a sua responsabilidade diante da Palavra exposta! Só para entendimento, a questão de gênero não tem a ver com capacidade ou atividade, mas com delegação de autoridade. Homem não é melhor do que a mulher em nada, mas uma coisa o homem cristão precisa exercer em casa e na igreja: autoridade de homem...Autoridade entende-se por responsabilidade de assumir a lidarança, seus bônus e muito mais os seus ônus.

2. Pastor, do ponto de vista filológico, não se pode afirmar que a ordenação fere as Escrituras. Há de se considerar o contexto cultural da época em que o texto foi escrito, ou seja, patriarcal.

Minha resposta para nossa reflexão:  A partir do momento que menciona-se a estrutura cultural patriarcal, já coloca-se como parâmetro uma análise sociológica e não teológica. Além disso, a análise filológica não pode ser determinante e exclusiva para se chegar a uma posição diante do texto bíblico, afinal, as Escrituras tem uma linha teológica indiscutível, que deve orientar toda a nossa análise textual. Uma palavra deve ser avaliada em seu contexto, inclusive dentro da teologia bíblica. Dessa forma, não se pode analisar o texto do ponto de vista puramente semântico. Sendo assim, a questão da liderança masculina é notória nas Escrituras, não só por um contexto sociológico diferente, mas por uma questão teológica... Deus fez o homem primeiro, Deus colocou sobre o homem uma responsabilidade maior do que sobre a mulher, Deus estipulou a mulher como auxiliadora e não como cabeça, Deus nos alerta sobre a parte mais frágil - a feminina, etc. Portanto, com todo respeito, toda análise técnica deve se render à naturalidade das Escrituras que traça uma linha coerente no decorrer da história.

3. Assim como Deus permitiu algumas exceções, hoje, pela omissão dos homens, as mulheres tem se colocado para fazer e fazem bem.

Minha resposta para nossa reflexão:  O fato dos homens se omitirem na história da Bíblia, como o caso de Débora, e os homens se omitirem de seus ofícios nos dias de hoje, seja na família, na igreja e na sociedade, não se torna um pressuposto legítimo para se defender a causa feminina na questão posta, pelo contrário, torna-se uma alerta para as falhas cometidas pelos homens e as consequências disso para si próprios, para a igreja, para a família e para a sociedade. Isso não tem nada a ver com machismo, pois acredito que as mulheres são tão competentes quanto aos homens, mas trata-se - digo mais uma vez - de ordem da criação divina (ISSO NÃO É UM MERO DETALHE NAS ESCRITURAS) e do propósito da liderança masculina dentro dos planos de Deus...Agora, se não acham isso pertinente, não sou eu que convencerei-os, mas as consequências do movimento feminista em todas as esferas, inclusive familiar e eclesiástica, são visíveis.

4. Por que se importar com isso, sendo que isso não leva ninguém para o céu ou inferno. Existem discussões mais relevantes que precisamos nos ater.

Minha resposta para nossa reflexão: O fato da salvação eterna (ir ou não ir para o inferno) não pode minimizar a discussão. Somos peregrinos sim, aqui na terra, mas enquanto peregrinos, obedecemos uma ordem posta por Deus pelas Escrituras, a fim de que nossa vida siga um parâmetro dado por Deus. Portanto, minimizar a relevância do assunto, é desconsiderar os propósitos divinos para homens e mulheres na família, igreja e sociedade. Se fosse assim, com essa ótica, dízimo, ofertas, batismo, ceia do Senhor e tantos outros assuntos bíblicos e pertinentes à vida cotidiana da igreja deixariam de ser relvantes, afinal nenhum desses conduzem o homem ao céu ou ao inferno. O fato de se ter assuntos mais importantes para a discussão é evidente. Acredito, sinceramente, que a salvação das almas é algo de suma importância na vida da igreja como agência do Senhor, todavia, isso não exclui a relevância da pauta aqui colocada, pois se parte do problema da igreja estar deixando de lado algumas das suas funções elementares deve-se ao fato da omissão masculina em exercer liderança e cumprir seu papel, a começar na família, na igreja e na sociedade. Homens omissos, famílias comprometidas, igreja deficitária e sociedade fragilizada. Basta encararmos com sinceridade os fatos!!!

5. A Bíblia não proíbe a ordenação feminina. Não existe texto bíblico algum que faça isso. portanto é uma questão de dialogar com a cultura. As experiências de cada realidade podem avaliar bem se é ou não da vontade de Deus a questão da ordenação feminina ao pastorado.

Minha resposta para nossa reflexão: O fato das mudanças culturais serem elementos importantes para uma hermenêutica responsável é verídico, mas não conclusivo, pois, como já dito, as variáveis textuais e especialmente uma teologia bíblica é crucial para se manter no trilho de uma interpretação bíblica sincera e responsável. As experiências como um parâmetro para a coerência com a vontade de Deus é no mínimo perigoso, para não dizer, enganoso. Se partirmos desse pressuposto, sob uma avaliação humana do que dá ou não certo, o ministério de Jeremias foi um fracasso, mas divinamente, sabemos pelas Escrituras que ele cumpriu com êxito a vontade de Deus. Defender essa bandeira é se aproximar dos equívocos da neo-ortodoxia, da onda carismática e tantas outros modismos perigosos para a saúde da igreja. A história da igreja tem mostrado isso.

Sugestão de leituras e recursos complementares para a reflexão:

http://www.mackenzie.br/.../VOLUME_II.../ordenacao....pdf
http://tempora-mores.blogspot.com.br/2014/01/respostas-argumentos-usados-em-favor-da.html
https://docs.google.com/file/d/0B2Vaq-Hw2BXCQkdGSXNFSVlZMjg/edit
http://opbbcps.blogspot.com.br/2012/07/mulheres-no-ministerio-mark-driscoll.html
http://s3supimpa.blogspot.com.br/2014/01/masculina-mule-macho-sim-sinho.html
http://www.youtube.com/watch?v=vN6qgEwOZ7w
http://www.youtube.com/watch?v=0tWPo4eIs2c&feature=share
http://www.youtube.com/watch?v=T57-dF25_-E
http://www.youtube.com/watch?v=gfbXViH4SR8&feature=share
http://www.youtube.com/watch?v=0ovFvLMrKaU
https://www.youtube.com/watch?v=8iKASp_MlhU

domingo, 19 de janeiro de 2014

EQUILÍBRIO PARA A VIDA


Hoje falamos sobre Equilíbrio para a vida na Escola Bíblica. É interessante que existem várias fórmulas mágicas, ou ao menos entusiásticas, para se alcançar esse equilíbrio entre o bem e o mal, a alegria e a tristeza, a motivação e a frustração. Algumas filosofias propõem "a busca pela felicidade", algumas psicologias "a busca pelo libido", na expressão irreverente da música, pode-se ouvir "o deixe a vida me levar", nas religiões, pode-se ouvir diversas coisas, como "esvazie a sua alma", "abra mãos de todos os bens materiais", "ajude o próximo", mas independente de onde venha as propostas, já parou para pensar que todas as nossas tentativas pelo equilíbrio com frequência nos trazem a seguinte interrogação: Será que estou seguindo pelo caminho certo? Acredito que seja sobre isso que Deus ministrou ao coração do apóstolo Paulo ao escrever: "Seja a vossa eqüidade notória a todos os homens. Perto está o Senhor. Não estejais inquietos por coisa alguma; antes as vossas petições sejam em tudo conhecidas diante de Deus pela oração e súplica, com ação de graças. E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos pensamentos em Cristo Jesus." (Filipenses 4:5-7). Sabe o que aprendo? O ser humano, só caminha rumo a essa estabilidade da alma, quando encontra-se, relaciona-se e sacia-se com Deus, o criador da vida e autor do sentido da existência. A Bíblia nos apresenta Jesus Cristo como o caminho para quem deseja esse relacionamento com Deus, por isso, se você quer experimentar o equilíbrio para vida, conheça a pessoa e a obra de Cristo e, com certeza, experimentará essa medida certa para a vida! Deus lhe surpreenda e lhe sacie! #valeapenavivercomCristo

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

IGREJA: QUAL É O SEU PAPEL?


Hoje, voltando da igreja para casa, ouvi a seguinte declaração, quando esperava o semáforo abrir: "Aquela igreja acabou com ela!" Essa declaração me trouxe à memória o nosso papel como igreja de Cristo. O que temos sido e para que existimos? Quando Jesus fez menção à igreja pela primeira vez, ele relacionou-a à declaração de Pedro a respeito de Cristo, o Filho do Deus vivo. Nessa mesma ocasião, Jesus também vinculou a igreja à vitória sobre as portas do inferno. Portanto, a igreja faz parte dos planos de Deus como agência de Cristo na derrota de Satanás. Se é assim, como então uma igreja pode fazer mal para alguém? Infelizmente, nos dias atuais, o que se tem denominado como igreja, tem sido uma instituição - às vezes ativista demais, outras vezes, monótona demais - que reúne pessoas sob um mesmo credo, mas não sobre uma mesma vida em comum: a vida de Cristo! A igreja de Cristo é comunidade dos santos em santificação, por isso, até entendemos que podemos machucar uns aos outros, pois ainda convivemos com o pecado que nos assedia, mas nunca podemos nos acomodar com as nossas feridas. Temos a graça do Senhor da igreja - Cristo - para restaurar os nossos relacionamentos, para nos dar a medida correta do nosso serviço uns aos outros, enfim, temos essa graça para nos fazer pessoas melhores. Por isso, recorramos a Cristo, com seu amor e justiça, para vivermos como a sua igreja, amando, servindo uns aos outros, sendo suporte uns para os outros, refletindo a glória de Deus como igreja de Cristo. Boa noite! #pensebiblicamente

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

MMA: além dos ringues, seja lá de qual forma for...

Gostaria de compartilhar mais uma reflexão com vocês. Talvez você não concorde com algo ou até mesmo com tudo do que encontra-se a seguir, mas convido você ao menos a refletir sobre as minhas colocações, especialmente você que se diz cristão. Recentemente me peguei aguardando a luta do ano de 2013 entre Chris Weidman e Anderson Silva pelo cinturão dos pesos médio do UFC 168. A cena que me deparei foi a mesma que todos os espectadores tiveram; uma fratura chocante, que provoca arrepios só de pensar. Antes, porém, da luta mais aguardada, também, vi duas mulheres se espancando, sangrando, além de outros marmanjos trocando socos, cotoveladas, chutes e coisas típicas do MMA, a modalidade esportiva que mais cresce no mundo do século XXI.

Após a luta, me deparei com as horas avançadas da madrugada e com a seguinte sensação: é para isso que serve o meu tempo? Talvez se o resultado da luta fosse outro, com a vitória do lutador brasileiro, essa impressão não fosse tão nítida e imediata, contudo, independente do saldo da luta e do falso patriotismo despertado pela transmissão, algo merece a atenção, especialmente dos cristãos: “Tenham cuidado com a maneira como vocês vivem; que não seja como insensatos, mas como sábios, aproveitando ao máximo cada oportunidade, porque os dias são maus” (Efésios 5:15-16). Paulo quando escreveu isso à igreja de Éfeso, estava ressaltando os valores a serem cultivados na vida cristã, como o amor uns pelos outros, e alertando aquela gente – e a todos os cristãos – sobre o perigo do consentimento com a imoralidade e a ociosidade. Em resumo, o apóstolo de Cristo estava chamando a atenção para a necessidade do cristão viver com a guarda alta, com a atenção redobrada, afinal, se não bastasse o sistema decaído desse mundo, a própria mente humana já é suficiente para conduzir o homem por caminhos que o afastam da vontade de Deus.

Isso não quer dizer que nós cristãos não podemos nos entreter, ter um tempo de descontração e divertimento, afinal, o próprio Deus, em sua sabedoria eterna nos ensina que o descanso é importante para a vida: “Foi isto que o Senhor ordenou: Amanhã será dia de descanso, sábado consagrado ao Senhor” (Êxodo 16.23). Mas qual o problema, então? Em que firo a Palavra de Deus, gastando meu tempo em frente à TV, assistindo um evento esportivo de MMA? Pois bem, não pretendo ser conclusivo com a minha análise, mas também, longe de ser leviano, é preciso pensar em algumas causas e consequências envolvidas no simples ato de gastar um tempo, seja só ou com amigos, diante de um evento como esse. Algumas perguntas precisam ser feitas para nos ajudar a refletir: Quais são as origens do MMA e em que os organizadores dos eventos dessa modalidade se inspiraram? Por que o MMA é uma das modalidades esportivas que mais crescem no mundo? O que atraem tanto a atenção do público nesses eventos de lutas marciais? Será que a Bíblia possui princípios que nos ajudam a avaliar esse evento e a prática dessas atividades? É sensato ao cristão manter algum vínculo com essa modalidade? Como cristão, será que tenho a mesma disposição para o exercício espiritual como tenho para investir na contemplação ou até mesmo na prática dessas atividades?

Notícias sobre o MMA, que significa, em inglês, Artes Marciais Mistas, apontam a origem da modalidade para a família Gracie, por volta de 1930, que objetivava demonstrar a superioridade do jiu-jitsu – uma das lutas marciais – diante das demais lutas. Na década de 90, por intermédio de um dos Gracie, nos Estados Unidos, surgiu o evento UFC, que popularizou o MMA em todo o mundo, se tornando, na atualidade, uma marca que movimenta bilhões de dólares por ano. Contudo, se analisarmos mais profundamente os eventos de MMA, voltando mais na história, não é incomum encontrarmos semelhanças com eventos de lutas mais antigos. Os gladiadores romanos – escravos, criminosos e homens livres – tiveram seu auge na história entre o século 2 a.C. e o século 5 d.C. A busca por entreter o povo fez do Império Romano um promotor de eventos de lutas, muitas delas, com muito sangue e morte. Muitos gladiadores ganharam fama, ostentando a força e robustez do homem, todavia, junto a esses homens hábeis no manuseio de armas, os espetáculos também contavam com feras – como tigres e leões – e até mesmo com cristãos condenados ao martírio. Não é difícil imaginar o resultado final de muitas dessas lutas, que eram um ícone da banalização da vida humana em favor de um governo arrogante, ostentador de poder e sem temor a Deus. Se voltarmos ainda mais no tempo, encontraremos as lutas orientais, muitas com o princípio de auto-defesa e outras como instrumento de guerra. Assim como entre os gladiadores, muitos praticantes das artes marciais se tornaram símbolos de força e respeito entre seu povo. Enfim, além das atrocidades já mencionadas, no histórico de muitas dessas lutas encontra-se a tentativa humana de se sobressair perante o seu semelhante pela capacidade de agredir e impor-se com ameaças à integridade física alheia.

Assim como na Roma Antiga, o que atraía a atenção do público era a apresentação pública da desgraça alheia. As pessoas da antiguidade comungavam de uma mistura de ojeriza e excitação diante dos resultados da luta. Sangue, quedas, brutalidades, humilhação e, até mesmo, a morte estavam entre os motivos da expectação nos eventos de gladiadores. É essa mesma sensação que move, nos dias atuais, o público do telejornalismo policial, dos reality shows, enfim, dos eventos de MMA da vida. Até aqui, se você é um adepto ou apreciador do MMA, acredito que esteja um tanto inquieto, todavia, desafio-lhe, mais uma vez, a considerar os fatos e algumas análises dos mesmos antes de imprimir os achismos e gostos pessoais. Espero que não pare por aqui, especialmente se deseja conhecer alguns princípios bíblicos que precisamos considerar para analisar melhor o assunto. Por isso, vamos continuar a reflexão.

Na Bíblia, em Êxodo 21.12-14 podemos encontrar o seguinte texto: "Quem ferir um homem, vindo a matá-lo, terá que ser executado. Todavia, se não o fez intencionalmente, mas Deus o permitiu, designei um lugar para onde poderá fugir. Mas se alguém tiver planejado matar outro deliberadamente, tire-o até mesmo do meu altar e mate-o”. O texto que acabamos de ler faz parte das leis dadas por Deus ao povo de Israel, a fim de que esse povo vivesse em conformidade com a vontade divina. O termo ‘ferir’, do hebraico nakah, também pode ser entendido como golpear, bater, atacar, destruir, espancar, abater, entre outros. Pelo texto, parece estar bem evidente que Deus não aprova tal atitude, tanto que propõe dura punição para aqueles que cometerem tal ato. Diante desse texto, como podemos avaliar o ato deliberado de duas pessoas entrarem num ringue com o objetivo de se sobressair por meio de socos, chutes e estrangulamentos? Será que as lutas marciais, especialmente da maneira que são aplicadas no MMA, não se enquadram dentro dessa orientação divina? E essas lutas, são capazes de matar alguém? Certamente que sim, não é mesmo?

Isso significa que não posso nem praticar tais modalidades como um esporte cotidiano? Não estou aqui para imprimir proibições e nem permissões, apenas promovendo uma reflexão, mas me parece que o problema das lutas não está tanto em treinos ou no exercício de defesa pessoal. Parece-me que as lutas começam a ferir o princípio bíblico quando as mesmas são usadas deliberadamente contra outro semelhante, quando para agredir alguém, como no caso do MMA ou até algumas modalidades olímpicas, como o boxe. Na igreja em que estamos, por nossa iniciativa, estimulamos a prática do jiu-jitsu, que é uma das lutas marciais praticadas no MMA, contudo, está bem claro no nosso projeto que não pretendemos formar lutadores, apenas pessoas que desejam se exercitar, aprendendo técnicas de defesa pessoal. Pode parecer muito sutil a diferença entre uma coisa e outra, mas não é, afinal, a simples prática desses exercícios, se proposta apenas como um treino, não objetiva a agressão contra alguma pessoa.

Mas você pode argumentar: ‘Os lutadores estão ali por livre e espontânea vontade, ao contrário, da época dos gladiadores romanos, quando alguns eram colocados nas arenas de maneira compulsória. O objetivo nem é matar alguém! E muitos lutadores até se abraçam depois das lutas, demonstrando amizade e profissionalismo!’ E eu lhe respondo: Realmente isso acontece muitas vezes, só que isso, mesmo sendo verdade, não exclui a lei de Deus exposta na Bíblia! Você também pode argumentar: ‘Mas Deus ordenou o povo dele a matar os inimigos, muitas vezes, sem deixar rastro algum!’. Isso também é verdade, só que você se esqueceu que Deus ordenou batalhas, enfim, a guerra, contra pessoas que não o amavam e queriam, por sua rebeldia, se imporem contra o povo de Deus. Nesses casos de guerra, a violência era necessária para cumprir o propósito de justiça divina, em que os homens eram apenas instrumentos de Deus. Uma coisa é bem diferente da outra. Mas continua a lhe convidar a refletir mais comigo, mesmo que seja para discordar.

Deus disse a Noé: Darei fim a todos os seres humanos, porque a terra encheu-se de violência por causa deles. Eu os destruirei juntamente com a terra” (Gênesis 6:13). O termo hebraico para ‘violência’ é chamas, que dá traz a ideia de agressão física, crueldade, maldade, enfim, algo errado, malicioso. Os textos bíblicos que fazem menção à violência, em momento algum, atribuem o termo a uma coisa que agrada Deus, pelo contrário, é fruto do pecado humano e Deus utiliza-se disso para punir os pecadores de coração rebelde. Portanto, como lidar com a prática comum aos eventos de MMA, que promovem cenas escancaradas de violência mútua? Ou os golpes nas lutas não são violência? Difícil não considera-los assim, não é? A Bíblia faz menção ao procedimento do cristão em várias passagens, dentre elas o ensino de Jesus Cristo: Mas eu lhes digo: Não resistam ao perverso. Se alguém o ferir na face direita, ofereça-lhe também a outra” (Mateus 5:39). Aqui aparece novamente o termo ferir, que no grego rhapizō, quer dizer bater, ferir com as mãos, enfim, agressão contra outra pessoa. Nesse trecho Jesus usa a ilustração da agressão física para condenar a retaliação, ou seja, pagar o mal na mesma moeda. Se o próprio Cristo usa essa ilustração como uma tentativa de ensinar a renúncia pessoal, como poderia uma briga travada em um ringue produzir tal comportamento? Será que ao receber uma pancada, o lutador não alimenta dentro de si um desejo de revidar a agressão? Será que ao ser golpeado ele pensa no próximo como alvo de amor? Precisamos ser sinceros conosco mesmo e com a natureza humana para e responder essa pergunta.

A orientação do apóstolo Paulo a respeito da finalidade do agir cristão, em 1 Coríntios 10.31, diz assim: Assim, quer vocês comam, bebam ou façam qualquer outra coisa, façam tudo para a glória de Deus”. Como acreditar que esbofetear outra pessoa, sufocá-la, chutá-la, tirando sangue da mesma, a ponto de deixa-la desacordada, pode trazer glória a Deus, o criador do ser humano, que foi feito à imagem e semelhança dele mesmo? Sabe o que significa a expressão “imagem e semelhança”? Significa que fomos feitos como representantes de Deus diante de toda a criação, que temos mais valor do que qualquer outra criatura. É isso que traz a dignidade ao ser humano, e não a tentativa do homem de se impor sobre os demais. Se temos alguma dignidade, é porque fomos criados à imagem e semelhança do próprio Deus, o nosso criador. Portanto, durma com esse barulho e tente conciliar essa verdade com a prática competitiva do MMA. É possível dar glória ao criador de todas as coisas indo contra a integridade física da sua mais sublime criação: o ser humano?

Bem, aqui termino a minha breve reflexão, ciente de que o assunto não se esgota nessas linhas acima. Termino essa análise, convidando você, especialmente cristão, a refletir em fatos e não em gostos pessoais e achismos. Obrigado pela disposição de ser desafiado a pensar mais nas implicâncias dos nossos atos e comportamentos. Deus lhe abençoe com a presença maravilhosa do seu Espírito, o único meio de aceitarmos as verdades de Deus para nossas vidas.