Grupos religiosos como os
Adventistas do Sétimo Dia alegam que os cristãos violaram o mandamento do
Sábado, como do Dia do Senhor, baseando-se especialmente em textos como Gênesis 2.2-3 e Êxodo 20.8-11, que fazem menção à santificação desse dia por Deus.
É verdade que em vários textos
bíblicos vemos a menção da guarda do Sábado e isso não se deve questionar,
contudo, o que se faze necessário para uma boa compreensão do texto bíblico é o
princípio proposto por Deus ao trazer o mandamento. Para isso, vale a menção do
Sermão do Monte (Mt 5-7), quando
Jesus Cristo fez questão de ensinar que os mandamentos dados a Moisés
precisavam ser compreendidos e vividos em seus princípios, não apenas em seus
cumprimentos literais. Esse ensino de Jesus abre portas para passarmos à
compreensão correta a respeito do Sábado.
Partindo desse pressuposto, o que
Deus quis, desde a criação, ensinar a respeito do Sábado? Antes, porém,
precisamos refletir sobre algo: Deus se cansa? Ele literalmente se fadigou com
o trabalho da criação? É claro que não! Se lermos Isaías 40.28, dentro do seu contexto, podemos observar que
os atributos de Deus não permitem o cansaço, seja ele de ordem física ou
mental. Fica óbvio que Deus não pode se cansar e que essa construção da frase
apenas é um recurso didático utilizado por Ele para trazer identificação com a
sua criatura, captando a sua atenção, a fim de que o seu ensino fosse melhor assimilado.
Portanto, qualquer leitor bem intencionado e sincero entenderá que Deus propôs o
Sábado para ressaltar o princípio de descanso, a fim de cultivar a prioridade na
adoração humana a Ele, além de preservar a integridade física, mental e social
da sua criação. Deus não desejava – e ainda não deseja – ver a cobiça escravizando
a sua criação, afastando-a do culto a Ele.
Entendido o princípio, podemos
continuar a tratar o assunto com transparência e sinceridade. Se o que Deus
deseja ensinar é a necessidade humana de descansar e priorizar a adoração a
Ele, o cristão precisa observar o sábado assim como o povo de Israel, do Antigo
Testamento? Vejamos o que a Palavra de Deus nos ensina. Paulo, aos Colossenses
escreveu:
“Tenham
cuidado para que ninguém os escravize a filosofias vãs e enganosas, que se
fundamentam nas tradições humanas e nos princípios elementares deste mundo, e
não em Cristo. [...] Nele também vocês foram circuncidados, não com uma circuncisão feita por mãos humanas, mas
com a circuncisão feita por Cristo, que é o despojar do corpo da carne. [...]
Quando vocês estavam mortos em pecados e na incircuncisão da sua carne, Deus os
vivificou juntamente com Cristo. Ele nos perdoou todas as transgressões,
e cancelou a escrita de dívida, que consistia em ordenanças, e que nos era
contrária. Ele a removeu, pregando-a na cruz [...] Portanto, não permitam que ninguém os julgue pelo
que vocês comem ou bebem, ou com
relação a alguma festividade religiosa
ou à celebração das luas novas ou dos dias de sábado” (Colossenses 2.8,11,13-14,16).
Um leitor honesto das Escrituras
facilmente entenderá e aceitará que o apóstolo Paulo buscou conduzir todo
cristão ao exercício da liberdade no relacionamento com Deus, enfim, a uma vida
livre da escravidão do cumprimento das ordenanças como um meio de cultivar um
relacionamento com Deus. O texto ensina que as restrições alimentares do Antigo
Testamento não são para os cristãos (cf. Mc
7.14-19; At 10.9-15; Rm 14.17; 1Co 8.8; 1Tm 4.1-5; Hb 9.9-10), assim como
as festividades do calendário judeu não necessitam ser cumpridas pela igreja.
Os sacrifícios mensais oferecidos no primeiro dia de cada mês (cf. Nm 10.10; 28.11-14; Sl 81.3) também não
precisavam ser observados pelos crentes em Jesus, bem como os Sábados.
A mensagem apostólica,
fundamentada no Evangelho de Cristo, é para todos da Nova Aliança, para a
igreja, logo, todo cristão não deve cultivar a literalidade da guarda de mandamentos
da lei mosaica, como do Sábado, mas a liberdade em Cristo, que não compactua
com o legalismo religioso (cf. Gl 5.1).
Essa liberdade está na vida que busca agradar
a Deus nos princípios de seus atos e não no cumprimento literal de datas,
festividades ou o próprio Sábado. É só lermos Colossenses 2.16 e seu contexto para chegarmos a essa conclusão a
respeito da Graça Superabundante.
“Mas Paulo pregava nas sinagogas
aos sábados”, dizem os defensores do Sábado! Não é que eles têm razão nisso!
Pois bem, isso nada mais, nada menos, significa que Paulo – como um judeu, aproveitava
os cultos judáicos nas sinagogas para anunciar o evangelho. Provavelmente se
ele fosse num domingo, teria o êxito missionário comprometido por falta de
ouvintes! E esse mesmo Paulo que pregava nas sinagogas aos sábados é o que
também escreveu:
O ministério
que trouxe a morte foi gravado com letras em pedras; mas esse ministério veio
com tal glória que os israelitas não podiam fixar os olhos na face de Moisés
por causa do resplendor do seu rosto, ainda que desvanecente. Não será o
ministério do Espírito ainda muito mais glorioso? Se era glorioso o
ministério que trouxe condenação, quanto mais glorioso será o ministério que
produz justiça! Pois o que outrora foi glorioso, agora não tem glória,
em comparação com a glória insuperável. (2 Coríntios 3.7-10)
O apóstolo estava dizendo que a
lei mosaica talhada nas pedras, o que incluía o Sábado, era transitória e
queria direcionar aquilo que não era transitório, a saber, a revelação em
Cristo. É isso que significa a fala de Jesus, afirmando que estava cumprindo a
lei, outrora dada, para apontar a necessidade da redenção plena e perfeita!
Mas a igreja deve observar o
princípio de descanso e adoração a Deus? Claro que sim! O domingo foi o dia que
a igreja cristã passou a se reunir, pois esse era o dia em que o Senhor da Nova
Aliança (Jesus Cristo) havia ressuscitado (cf. Mt 28.1; Mc 16.2,9; Lc 24.1; Jo 20.1,19). A igreja primitiva se
reunia no domingo em culto ao Senhor e o mesmo apóstolo Paulo, num domingo,
reunia-se em culto ao Senhor (cf. At 20.7;
1Co 16.2). Ah, o apóstolo João recebeu a visão de Cristo no Dia do Senhor!
Sabe que dia é esse dentro de todo o contexto do Novo Testamento? O dia em que o
Kyrios, o Senhor Jesus, ressuscitou
dos mortos, e não o Sábado dos Judeus. Portanto, afirmar que o Domingo só passou
a ser usado para o Culto através do Imperador Constantino (séc. IV d.C.) é um
erro histórico e de interpretação bíblica infantil. O que Constantino fez foi
promover o Natal cristão no dia 25 de dezembro no lugar de uma antiga festa
pagã no Solstício de Inverno, início do inverno no Hemisfério Norte.
Lembremos que o apóstolo Paulo, ao referir-se à tradição judaizante,
disse: “Estas coisas são sombras do que haveria
de vir; a realidade, porém, encontra-se em Cristo” (Colossenses
2.17). O Sábado, portanto, é apenas uma sombra da redenção
verdadeira que viria em Cristo! Se esse homem usado por Deus nos ensinou o que é
a Graça em Cristo, vivamos essa Graça em nossos dias, buscando viver – pela ação do
Espírito Santo – os princípios dos mandamentos e não a literalidade das
ordenanças.
Pr. Pablo
Rodrigo Ferreira
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