sexta-feira, 22 de agosto de 2014

O Deus dos mórmons é o mesmo do cristianismo?

O Mormonismo encontra-se dentro de algumas estatísticas como uma das denominações cristãs evangélicas, mas será que suas crenças têm embasamentos bíblicos que confirmam tal identificação com o cristianismo histórico? Podemos considerar os mórmons como cristãos autênticos segundo as Escrituras? É o que veremos com esse breve estudo.
A começar pela pessoa de Deus, podemos perceber que a doutrina mórmon é bem diferente da tradição cristã. Desde o início da igreja primitiva, a ideia da Triunidade de Deus, ou seja, de um único Deus subsistindo em três pessoas distintas, sendo elas Pai, Filho e Espírito Santo, é uma questão aceita pelo cristianismo. Importantes concílios da igreja, a partir de 325 d.C, trataram da questão, chegando à conclusão a respeito da unidade e triunidade de Deus. Entretanto, os mórmons usam textos como Mateus 3.16-17 para apoiarem a ideia de politeísmo, em que Pai, Filho e Espírito Santo são três personagens distintos de Deus, não sendo apenas um, mas três deuses. Diante do exposto, é fácil perceber que a crença mórmon não é a mesma dos cristãos. Diante disso, uma pergunta não se cala: quem está certo, afinal?

A Bíblia, a revelação dada por Deus aos homens, ensina-nos que Yehowah, a saber, o Deus verdadeiro, é único, enfim, é uma unidade (cf. Dt 6.4,32,39; 2Sm 7.22; Sl 86.10; Is 44.6; Mc 12.29; Jo 5.44; 17.3; Rm 3.29-30; 16.27; 1Co 8.4; Gl 3.20; Ef 4.6; 1Ts 1.9; 1Tm1.17; 2.5; Tg 2.19; 1Jo 5.20-21; Jd 25). As mesmas Escrituras também nos dão evidências claras e convictas de que, mesmo sendo único, Deus também é triúno, existindo três pessoas distintas nEle (Mt 28.19; 2Co 13.13; 1Pe 1.2; Is 63.7-9). A Bíblia considera Deus não apenas o Pai, mas também o Filho (cf. Jo 20.28; Hb 1.8) e o Espírito Santo (cf. At 5.3-4). Isso é impossível, diria os teóricos da física e a lógica humana! O princípio da impenetrabilidade da matéria afirma que “dois corpos não podem ocupar o mesmo espaço simultaneamente”, não é mesmo? Só que não podemos nos esquecer de que Deus é e está acima da existência desse mundo, sendo Ele Espírito (cf. Jo 4.24), não podendo ser compreendido plenamente por suas criaturas (cf. Rm 11.34; Is 55.9).

Baseados nas Escrituras Sagradas, regra de fé e prática dos cristãos, podemos confiar na doutrina da Trindade, afinal, a Palavra de Deus nos apresenta:
  • A existência de um único Deus verdadeiro.
  • A existência de três pessoas reconhecidas como Deus.
  • A existência das três pessoas em um único ser, que é Deus. (Norman Geisler e Ron Rhodes)

Sendo assim, acredito que temos condições para afirmar que a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, apesar de ter o nome de Cristo em sua denominação, não prega o mesmo Deus que os cristãos conhecem por meio das Escrituras Sagradas.
Prefiro confiar nesse Deus Pai, Filho e Espírito, que é o único Deus verdadeiro, capaz de operar e manifestar a graça dEle sobre nós.


Pr. Pablo Rodrigo Ferreira

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Guarda do Sábado: para os crentes de hoje ou não?

Grupos religiosos como os Adventistas do Sétimo Dia alegam que os cristãos violaram o mandamento do Sábado, como do Dia do Senhor, baseando-se especialmente em textos como Gênesis 2.2-3 e Êxodo 20.8-11, que fazem menção à santificação desse dia por Deus.

É verdade que em vários textos bíblicos vemos a menção da guarda do Sábado e isso não se deve questionar, contudo, o que se faze necessário para uma boa compreensão do texto bíblico é o princípio proposto por Deus ao trazer o mandamento. Para isso, vale a menção do Sermão do Monte (Mt 5-7), quando Jesus Cristo fez questão de ensinar que os mandamentos dados a Moisés precisavam ser compreendidos e vividos em seus princípios, não apenas em seus cumprimentos literais. Esse ensino de Jesus abre portas para passarmos à compreensão correta a respeito do Sábado.

Partindo desse pressuposto, o que Deus quis, desde a criação, ensinar a respeito do Sábado? Antes, porém, precisamos refletir sobre algo: Deus se cansa? Ele literalmente se fadigou com o trabalho da criação? É claro que não! Se lermos Isaías 40.28, dentro do seu contexto, podemos observar que os atributos de Deus não permitem o cansaço, seja ele de ordem física ou mental. Fica óbvio que Deus não pode se cansar e que essa construção da frase apenas é um recurso didático utilizado por Ele para trazer identificação com a sua criatura, captando a sua atenção, a fim de que o seu ensino fosse melhor assimilado. Portanto, qualquer leitor bem intencionado e sincero entenderá que Deus propôs o Sábado para ressaltar o princípio de descanso, a fim de cultivar a prioridade na adoração humana a Ele, além de preservar a integridade física, mental e social da sua criação. Deus não desejava – e ainda não deseja – ver a cobiça escravizando a sua criação, afastando-a do culto a Ele.

Entendido o princípio, podemos continuar a tratar o assunto com transparência e sinceridade. Se o que Deus deseja ensinar é a necessidade humana de descansar e priorizar a adoração a Ele, o cristão precisa observar o sábado assim como o povo de Israel, do Antigo Testamento? Vejamos o que a Palavra de Deus nos ensina. Paulo, aos Colossenses escreveu:
Tenham cuidado para que ninguém os escravize a filosofias vãs e enganosas, que se fundamentam nas tradições humanas e nos princípios elementares deste mundo, e não em Cristo. [...] Nele também vocês foram circuncidados, não com uma circuncisão feita por mãos humanas, mas com a circuncisão feita por Cristo, que é o despojar do corpo da carne. [...] Quando vocês estavam mortos em pecados e na incircuncisão da sua carne, Deus os vivificou juntamente com Cristo. Ele nos perdoou todas as transgressões, e cancelou a escrita de dívida, que consistia em ordenanças, e que nos era contrária. Ele a removeu, pregando-a na cruz [...] Portanto, não permitam que ninguém os julgue pelo que vocês comem ou bebem, ou com relação a alguma festividade religiosa ou à celebração das luas novas ou dos dias de sábado” (Colossenses 2.8,11,13-14,16).

Um leitor honesto das Escrituras facilmente entenderá e aceitará que o apóstolo Paulo buscou conduzir todo cristão ao exercício da liberdade no relacionamento com Deus, enfim, a uma vida livre da escravidão do cumprimento das ordenanças como um meio de cultivar um relacionamento com Deus. O texto ensina que as restrições alimentares do Antigo Testamento não são para os cristãos (cf. Mc 7.14-19; At 10.9-15; Rm 14.17; 1Co 8.8; 1Tm 4.1-5; Hb 9.9-10), assim como as festividades do calendário judeu não necessitam ser cumpridas pela igreja. Os sacrifícios mensais oferecidos no primeiro dia de cada mês (cf. Nm 10.10; 28.11-14; Sl 81.3) também não precisavam ser observados pelos crentes em Jesus, bem como os Sábados.

A mensagem apostólica, fundamentada no Evangelho de Cristo, é para todos da Nova Aliança, para a igreja, logo, todo cristão não deve cultivar a literalidade da guarda de mandamentos da lei mosaica, como do Sábado, mas a liberdade em Cristo, que não compactua com o legalismo religioso (cf. Gl 5.1).  Essa liberdade está na vida que busca agradar a Deus nos princípios de seus atos e não no cumprimento literal de datas, festividades ou o próprio Sábado. É só lermos Colossenses 2.16 e seu contexto para chegarmos a essa conclusão a respeito da Graça Superabundante.

“Mas Paulo pregava nas sinagogas aos sábados”, dizem os defensores do Sábado! Não é que eles têm razão nisso! Pois bem, isso nada mais, nada menos, significa que Paulo – como um judeu, aproveitava os cultos judáicos nas sinagogas para anunciar o evangelho. Provavelmente se ele fosse num domingo, teria o êxito missionário comprometido por falta de ouvintes! E esse mesmo Paulo que pregava nas sinagogas aos sábados é o que também escreveu:
O ministério que trouxe a morte foi gravado com letras em pedras; mas esse ministério veio com tal glória que os israelitas não podiam fixar os olhos na face de Moisés por causa do resplendor do seu rosto, ainda que desvanecente. Não será o ministério do Espírito ainda muito mais glorioso? Se era glorioso o ministério que trouxe condenação, quanto mais glorioso será o ministério que produz justiça! Pois o que outrora foi glorioso, agora não tem glória, em comparação com a glória insuperável. (2 Coríntios 3.7-10)

O apóstolo estava dizendo que a lei mosaica talhada nas pedras, o que incluía o Sábado, era transitória e queria direcionar aquilo que não era transitório, a saber, a revelação em Cristo. É isso que significa a fala de Jesus, afirmando que estava cumprindo a lei, outrora dada, para apontar a necessidade da redenção plena e perfeita!

Mas a igreja deve observar o princípio de descanso e adoração a Deus? Claro que sim! O domingo foi o dia que a igreja cristã passou a se reunir, pois esse era o dia em que o Senhor da Nova Aliança (Jesus Cristo) havia ressuscitado (cf. Mt 28.1; Mc 16.2,9; Lc 24.1; Jo 20.1,19). A igreja primitiva se reunia no domingo em culto ao Senhor e o mesmo apóstolo Paulo, num domingo, reunia-se em culto ao Senhor (cf. At 20.7; 1Co 16.2). Ah, o apóstolo João recebeu a visão de Cristo no Dia do Senhor! Sabe que dia é esse dentro de todo o contexto do Novo Testamento? O dia em que o Kyrios, o Senhor Jesus, ressuscitou dos mortos, e não o Sábado dos Judeus. Portanto, afirmar que o Domingo só passou a ser usado para o Culto através do Imperador Constantino (séc. IV d.C.) é um erro histórico e de interpretação bíblica infantil. O que Constantino fez foi promover o Natal cristão no dia 25 de dezembro no lugar de uma antiga festa pagã no Solstício de Inverno, início do inverno no Hemisfério Norte.

Lembremos que o apóstolo Paulo, ao referir-se à tradição judaizante, disse: “Estas coisas são sombras do que haveria de vir; a realidade, porém, encontra-se em Cristo” (Colossenses 2.17). O Sábado, portanto, é apenas uma sombra da redenção verdadeira que viria em Cristo! Se esse homem usado por Deus nos ensinou o que é a Graça em Cristo, vivamos essa Graça em nossos dias, buscando viver – pela ação do Espírito Santo – os princípios dos mandamentos e não a literalidade das ordenanças.

Pr. Pablo Rodrigo Ferreira

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

ASSÉDIOS PERIGOSOS


Muitas propostas nos assediam para ir contra a vontade de Deus! Esses dias recebi um folheto em questão e ao ler o seu conteúdo, lembrei-me dos tempos de Moisés, percebendo que realmente não há nada novo debaixo dos céus, afinal os pecados de ontem se repetem hoje, mesmo com roupagens diferentes, e ainda continuam iludindo a muitos. Nas ruas dos grandes centros, não é incomum vermos como Satanás continua se apropriando da idolatria e da corrupção do homem, a fim de levá-lo para um emaranhado de mentiras. Diante disso, gostaria de lhe convidar a refletir comigo sobre o nosso papel como cristão nesse mundo. Se eu recebi esse folheto é porque existe alguém que se propõe a oferecer tais serviços já há 26 anos e, se existe alguém assim, é porque existem pessoas que ainda hoje procuram tais "soluções" e pagam por isso, não é mesmo? 



Portanto, nós, povo escolhido de Deus, precisamos nos lembrar do que Deus nos ensina para que apresentemos aos perdidos. A Palavra de Deus diz: "Não recorram aos médiuns, nem busquem os espíritas, pois vocês serão contaminados por eles. Eu sou o Senhor, o Deus de vocês" (Levítico 19:31). No Novo Testamento encontramos o seguinte alerta: "Ora, as obras da carne são manifestas: imoralidade sexual, impureza e libertinagem; idolatria e feitiçaria; ódio, discórdia, ciúmes, ira, egoísmo, dissensões, facções e inveja; embriaguez, orgias e coisas semelhantes. Eu os advirto, como antes já os adverti, que os que praticam essas coisas não herdarão o Reino de Deus" (Gálatas 5:19-21). 

Se recebemos isso da parte de nosso Deus, precisamos nos apropriar dessa verdade e anunciar o relacionamento de segurança que Deus dá a todo aquele que confiar em Jesus Cristo. Portanto, irmãos, vivamos e anunciemos a Palavra de Deus que liberta o homem da mentira!



terça-feira, 5 de agosto de 2014

TAPINHAS NAS COSTAS

“Eu sempre recebia atenção. Não importava onde eu estivesse ou com quem, as pessoas sempre notavam a minha presença. [...] Entretanto, toda essa atenção teve um custo. Embora eu gostasse da atenção que recebia de tantas pessoas, ela me escravizou. Eu exigia perfeição de mim mesmo. Tantas pessoas haviam me colocado em um pedestal, e eu queria estar naquele pedestal. Eu achava que precisava alcançar as suas expectativas em todos os aspectos e em todas as áreas. [...] Eu estou servindo um senhor cruel. Mas não é Deus quem me governa nesse caso. É o meu próprio orgulho e egocentrismo que exigem a perfeição. [...] Cristo, pela Sua graça salvadora, obteve vitória sobre o medo que escraviza e eu não preciso nunca mais voltar a temer.”
Os trechos do testemunho que acabamos de ler é de Max Benfer, um homem que enfrentou o que a Bíblia chama de “temor de homens”. Talvez a sua história seja totalmente inversa ao de Max; talvez, sempre se sentiu como o “patinho feio” e isso tem lhe pressionado nos relacionamentos com a família, na escola, no trabalho, na igreja, enfim, na vida. Quer semelhante ou oposto, hoje, quero lhe convidar a perceber que todo esse desejo de sentir-nos valorizado é algo que esconde o nosso orgulho, ou seja, é a nossa tentativa de não depender de Deus e, sim, de nós mesmos, dos nossos próprios recursos.
“Quem teme ao homem arma ciladas, mas o que confia no Senhor está seguro” (Provérbios 29.25). O que a Palavra de Deus nos ensina nesse trecho é que a pessoa que vive buscando a aprovação e o reconhecimento das pessoas se afunda no medo da rejeição, que por sua vez, esconde o seu orgulho. Deus deseja que conheçamos a segurança que Ele dá a todo aquele que busca um relacionamento de confiança nEle. Isso não significa que, a partir de hoje, devemos desprezar as pessoas que nos cercam, mas apenas devemos nos preocupar mais com o que Deus pensa a nosso respeito ao invés do que os outros pensam. E sabe o que Deus pensa a nosso respeito? Ele sabe que precisamos da sua Graça em Jesus Cristo e deseja que aproveitemos esse amor dEle em nosso favor, a fim de que a Glória seja dada a Ele e não a nós! “Portanto, quer comais quer bebais, ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para glória de Deus” (1 Coríntios 10.31).
Pablo Ferreira