quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

ORDENAÇÃO FEMININA AO MINISTÉRIO PASTORAL


Queridos irmãos e amigos, aqui vai um comentário respeitoso de um jovem pastor. Acredito que pelos princípios batistas, já que afirmamos ter a Bíblia como regra de fé e prática, podemos afirmar que toda ordem estipulada nesse mundo, seja ela de caráter eclesiástico ou não, deve se sujeitar às Escrituras Sagradas. Se alguém conseguir defender - com argumentos honestos - de que a ordenação feminina ao ministério pastoral é bíblico, quero retirar tudo o que aqui for escrito. A ordenação feminina não fere questão de gênero, mas uma questão crucial de ordem da criação divina e ordem hierárquica estipulada por Deus entre homem e mulher, seja na família, seja na sociedade. Só uma pergunta, como uma mulher vai exercer autoridade espiritual sobre homens, sendo que em casa ela deve se sujeitar a autoridade de seu marido, inclusive espiritual? A questão não é sociológica, como afirmam, mas teológico-bíblica. Queridos, diante dos fatos vistos no decorrer da história da igreja, é melhor ser taxado de radical, tentando se apegar à verdade, do que de liberal, abrindo mão de princípios fundamentais das Escrituras. Portanto, com todo respeito aos muitos anos de ministério de muitos amigos e irmãos...não basta se envergonhar tão somente, como servos de Deus, precisamos nos posicionar... pagar um preço pela verdade e não se dobrar aos comodismos do sistema. Que Deus nos oriente a tomar as decisões certas...e não as convenientes!A esse comentário, recebi as seguintes reações:


1. Pastor, quem ordena são homens, mas o Espírito Santo é que concede dons, logo as mulheres podem receber o dom de pastoreio.

Minha resposta para nossa reflexão: Com todo respeito, seria uma boa análise, se não fosse os falsos silogismos que a análise possui. As Escrituras não se contradizem... o mesmo Deus que outorgou autoridade é o que delega funções na igreja... A Bíblia é clara, agora, cada um tem a sua responsabilidade diante da Palavra exposta! Só para entendimento, a questão de gênero não tem a ver com capacidade ou atividade, mas com delegação de autoridade. Homem não é melhor do que a mulher em nada, mas uma coisa o homem cristão precisa exercer em casa e na igreja: autoridade de homem...Autoridade entende-se por responsabilidade de assumir a lidarança, seus bônus e muito mais os seus ônus.

2. Pastor, do ponto de vista filológico, não se pode afirmar que a ordenação fere as Escrituras. Há de se considerar o contexto cultural da época em que o texto foi escrito, ou seja, patriarcal.

Minha resposta para nossa reflexão:  A partir do momento que menciona-se a estrutura cultural patriarcal, já coloca-se como parâmetro uma análise sociológica e não teológica. Além disso, a análise filológica não pode ser determinante e exclusiva para se chegar a uma posição diante do texto bíblico, afinal, as Escrituras tem uma linha teológica indiscutível, que deve orientar toda a nossa análise textual. Uma palavra deve ser avaliada em seu contexto, inclusive dentro da teologia bíblica. Dessa forma, não se pode analisar o texto do ponto de vista puramente semântico. Sendo assim, a questão da liderança masculina é notória nas Escrituras, não só por um contexto sociológico diferente, mas por uma questão teológica... Deus fez o homem primeiro, Deus colocou sobre o homem uma responsabilidade maior do que sobre a mulher, Deus estipulou a mulher como auxiliadora e não como cabeça, Deus nos alerta sobre a parte mais frágil - a feminina, etc. Portanto, com todo respeito, toda análise técnica deve se render à naturalidade das Escrituras que traça uma linha coerente no decorrer da história.

3. Assim como Deus permitiu algumas exceções, hoje, pela omissão dos homens, as mulheres tem se colocado para fazer e fazem bem.

Minha resposta para nossa reflexão:  O fato dos homens se omitirem na história da Bíblia, como o caso de Débora, e os homens se omitirem de seus ofícios nos dias de hoje, seja na família, na igreja e na sociedade, não se torna um pressuposto legítimo para se defender a causa feminina na questão posta, pelo contrário, torna-se uma alerta para as falhas cometidas pelos homens e as consequências disso para si próprios, para a igreja, para a família e para a sociedade. Isso não tem nada a ver com machismo, pois acredito que as mulheres são tão competentes quanto aos homens, mas trata-se - digo mais uma vez - de ordem da criação divina (ISSO NÃO É UM MERO DETALHE NAS ESCRITURAS) e do propósito da liderança masculina dentro dos planos de Deus...Agora, se não acham isso pertinente, não sou eu que convencerei-os, mas as consequências do movimento feminista em todas as esferas, inclusive familiar e eclesiástica, são visíveis.

4. Por que se importar com isso, sendo que isso não leva ninguém para o céu ou inferno. Existem discussões mais relevantes que precisamos nos ater.

Minha resposta para nossa reflexão: O fato da salvação eterna (ir ou não ir para o inferno) não pode minimizar a discussão. Somos peregrinos sim, aqui na terra, mas enquanto peregrinos, obedecemos uma ordem posta por Deus pelas Escrituras, a fim de que nossa vida siga um parâmetro dado por Deus. Portanto, minimizar a relevância do assunto, é desconsiderar os propósitos divinos para homens e mulheres na família, igreja e sociedade. Se fosse assim, com essa ótica, dízimo, ofertas, batismo, ceia do Senhor e tantos outros assuntos bíblicos e pertinentes à vida cotidiana da igreja deixariam de ser relvantes, afinal nenhum desses conduzem o homem ao céu ou ao inferno. O fato de se ter assuntos mais importantes para a discussão é evidente. Acredito, sinceramente, que a salvação das almas é algo de suma importância na vida da igreja como agência do Senhor, todavia, isso não exclui a relevância da pauta aqui colocada, pois se parte do problema da igreja estar deixando de lado algumas das suas funções elementares deve-se ao fato da omissão masculina em exercer liderança e cumprir seu papel, a começar na família, na igreja e na sociedade. Homens omissos, famílias comprometidas, igreja deficitária e sociedade fragilizada. Basta encararmos com sinceridade os fatos!!!

5. A Bíblia não proíbe a ordenação feminina. Não existe texto bíblico algum que faça isso. portanto é uma questão de dialogar com a cultura. As experiências de cada realidade podem avaliar bem se é ou não da vontade de Deus a questão da ordenação feminina ao pastorado.

Minha resposta para nossa reflexão: O fato das mudanças culturais serem elementos importantes para uma hermenêutica responsável é verídico, mas não conclusivo, pois, como já dito, as variáveis textuais e especialmente uma teologia bíblica é crucial para se manter no trilho de uma interpretação bíblica sincera e responsável. As experiências como um parâmetro para a coerência com a vontade de Deus é no mínimo perigoso, para não dizer, enganoso. Se partirmos desse pressuposto, sob uma avaliação humana do que dá ou não certo, o ministério de Jeremias foi um fracasso, mas divinamente, sabemos pelas Escrituras que ele cumpriu com êxito a vontade de Deus. Defender essa bandeira é se aproximar dos equívocos da neo-ortodoxia, da onda carismática e tantas outros modismos perigosos para a saúde da igreja. A história da igreja tem mostrado isso.

Sugestão de leituras e recursos complementares para a reflexão:

http://www.mackenzie.br/.../VOLUME_II.../ordenacao....pdf
http://tempora-mores.blogspot.com.br/2014/01/respostas-argumentos-usados-em-favor-da.html
https://docs.google.com/file/d/0B2Vaq-Hw2BXCQkdGSXNFSVlZMjg/edit
http://opbbcps.blogspot.com.br/2012/07/mulheres-no-ministerio-mark-driscoll.html
http://s3supimpa.blogspot.com.br/2014/01/masculina-mule-macho-sim-sinho.html
http://www.youtube.com/watch?v=vN6qgEwOZ7w
http://www.youtube.com/watch?v=0tWPo4eIs2c&feature=share
http://www.youtube.com/watch?v=T57-dF25_-E
http://www.youtube.com/watch?v=gfbXViH4SR8&feature=share
http://www.youtube.com/watch?v=0ovFvLMrKaU
https://www.youtube.com/watch?v=8iKASp_MlhU

domingo, 19 de janeiro de 2014

EQUILÍBRIO PARA A VIDA


Hoje falamos sobre Equilíbrio para a vida na Escola Bíblica. É interessante que existem várias fórmulas mágicas, ou ao menos entusiásticas, para se alcançar esse equilíbrio entre o bem e o mal, a alegria e a tristeza, a motivação e a frustração. Algumas filosofias propõem "a busca pela felicidade", algumas psicologias "a busca pelo libido", na expressão irreverente da música, pode-se ouvir "o deixe a vida me levar", nas religiões, pode-se ouvir diversas coisas, como "esvazie a sua alma", "abra mãos de todos os bens materiais", "ajude o próximo", mas independente de onde venha as propostas, já parou para pensar que todas as nossas tentativas pelo equilíbrio com frequência nos trazem a seguinte interrogação: Será que estou seguindo pelo caminho certo? Acredito que seja sobre isso que Deus ministrou ao coração do apóstolo Paulo ao escrever: "Seja a vossa eqüidade notória a todos os homens. Perto está o Senhor. Não estejais inquietos por coisa alguma; antes as vossas petições sejam em tudo conhecidas diante de Deus pela oração e súplica, com ação de graças. E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos pensamentos em Cristo Jesus." (Filipenses 4:5-7). Sabe o que aprendo? O ser humano, só caminha rumo a essa estabilidade da alma, quando encontra-se, relaciona-se e sacia-se com Deus, o criador da vida e autor do sentido da existência. A Bíblia nos apresenta Jesus Cristo como o caminho para quem deseja esse relacionamento com Deus, por isso, se você quer experimentar o equilíbrio para vida, conheça a pessoa e a obra de Cristo e, com certeza, experimentará essa medida certa para a vida! Deus lhe surpreenda e lhe sacie! #valeapenavivercomCristo

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

IGREJA: QUAL É O SEU PAPEL?


Hoje, voltando da igreja para casa, ouvi a seguinte declaração, quando esperava o semáforo abrir: "Aquela igreja acabou com ela!" Essa declaração me trouxe à memória o nosso papel como igreja de Cristo. O que temos sido e para que existimos? Quando Jesus fez menção à igreja pela primeira vez, ele relacionou-a à declaração de Pedro a respeito de Cristo, o Filho do Deus vivo. Nessa mesma ocasião, Jesus também vinculou a igreja à vitória sobre as portas do inferno. Portanto, a igreja faz parte dos planos de Deus como agência de Cristo na derrota de Satanás. Se é assim, como então uma igreja pode fazer mal para alguém? Infelizmente, nos dias atuais, o que se tem denominado como igreja, tem sido uma instituição - às vezes ativista demais, outras vezes, monótona demais - que reúne pessoas sob um mesmo credo, mas não sobre uma mesma vida em comum: a vida de Cristo! A igreja de Cristo é comunidade dos santos em santificação, por isso, até entendemos que podemos machucar uns aos outros, pois ainda convivemos com o pecado que nos assedia, mas nunca podemos nos acomodar com as nossas feridas. Temos a graça do Senhor da igreja - Cristo - para restaurar os nossos relacionamentos, para nos dar a medida correta do nosso serviço uns aos outros, enfim, temos essa graça para nos fazer pessoas melhores. Por isso, recorramos a Cristo, com seu amor e justiça, para vivermos como a sua igreja, amando, servindo uns aos outros, sendo suporte uns para os outros, refletindo a glória de Deus como igreja de Cristo. Boa noite! #pensebiblicamente

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

MMA: além dos ringues, seja lá de qual forma for...

Gostaria de compartilhar mais uma reflexão com vocês. Talvez você não concorde com algo ou até mesmo com tudo do que encontra-se a seguir, mas convido você ao menos a refletir sobre as minhas colocações, especialmente você que se diz cristão. Recentemente me peguei aguardando a luta do ano de 2013 entre Chris Weidman e Anderson Silva pelo cinturão dos pesos médio do UFC 168. A cena que me deparei foi a mesma que todos os espectadores tiveram; uma fratura chocante, que provoca arrepios só de pensar. Antes, porém, da luta mais aguardada, também, vi duas mulheres se espancando, sangrando, além de outros marmanjos trocando socos, cotoveladas, chutes e coisas típicas do MMA, a modalidade esportiva que mais cresce no mundo do século XXI.

Após a luta, me deparei com as horas avançadas da madrugada e com a seguinte sensação: é para isso que serve o meu tempo? Talvez se o resultado da luta fosse outro, com a vitória do lutador brasileiro, essa impressão não fosse tão nítida e imediata, contudo, independente do saldo da luta e do falso patriotismo despertado pela transmissão, algo merece a atenção, especialmente dos cristãos: “Tenham cuidado com a maneira como vocês vivem; que não seja como insensatos, mas como sábios, aproveitando ao máximo cada oportunidade, porque os dias são maus” (Efésios 5:15-16). Paulo quando escreveu isso à igreja de Éfeso, estava ressaltando os valores a serem cultivados na vida cristã, como o amor uns pelos outros, e alertando aquela gente – e a todos os cristãos – sobre o perigo do consentimento com a imoralidade e a ociosidade. Em resumo, o apóstolo de Cristo estava chamando a atenção para a necessidade do cristão viver com a guarda alta, com a atenção redobrada, afinal, se não bastasse o sistema decaído desse mundo, a própria mente humana já é suficiente para conduzir o homem por caminhos que o afastam da vontade de Deus.

Isso não quer dizer que nós cristãos não podemos nos entreter, ter um tempo de descontração e divertimento, afinal, o próprio Deus, em sua sabedoria eterna nos ensina que o descanso é importante para a vida: “Foi isto que o Senhor ordenou: Amanhã será dia de descanso, sábado consagrado ao Senhor” (Êxodo 16.23). Mas qual o problema, então? Em que firo a Palavra de Deus, gastando meu tempo em frente à TV, assistindo um evento esportivo de MMA? Pois bem, não pretendo ser conclusivo com a minha análise, mas também, longe de ser leviano, é preciso pensar em algumas causas e consequências envolvidas no simples ato de gastar um tempo, seja só ou com amigos, diante de um evento como esse. Algumas perguntas precisam ser feitas para nos ajudar a refletir: Quais são as origens do MMA e em que os organizadores dos eventos dessa modalidade se inspiraram? Por que o MMA é uma das modalidades esportivas que mais crescem no mundo? O que atraem tanto a atenção do público nesses eventos de lutas marciais? Será que a Bíblia possui princípios que nos ajudam a avaliar esse evento e a prática dessas atividades? É sensato ao cristão manter algum vínculo com essa modalidade? Como cristão, será que tenho a mesma disposição para o exercício espiritual como tenho para investir na contemplação ou até mesmo na prática dessas atividades?

Notícias sobre o MMA, que significa, em inglês, Artes Marciais Mistas, apontam a origem da modalidade para a família Gracie, por volta de 1930, que objetivava demonstrar a superioridade do jiu-jitsu – uma das lutas marciais – diante das demais lutas. Na década de 90, por intermédio de um dos Gracie, nos Estados Unidos, surgiu o evento UFC, que popularizou o MMA em todo o mundo, se tornando, na atualidade, uma marca que movimenta bilhões de dólares por ano. Contudo, se analisarmos mais profundamente os eventos de MMA, voltando mais na história, não é incomum encontrarmos semelhanças com eventos de lutas mais antigos. Os gladiadores romanos – escravos, criminosos e homens livres – tiveram seu auge na história entre o século 2 a.C. e o século 5 d.C. A busca por entreter o povo fez do Império Romano um promotor de eventos de lutas, muitas delas, com muito sangue e morte. Muitos gladiadores ganharam fama, ostentando a força e robustez do homem, todavia, junto a esses homens hábeis no manuseio de armas, os espetáculos também contavam com feras – como tigres e leões – e até mesmo com cristãos condenados ao martírio. Não é difícil imaginar o resultado final de muitas dessas lutas, que eram um ícone da banalização da vida humana em favor de um governo arrogante, ostentador de poder e sem temor a Deus. Se voltarmos ainda mais no tempo, encontraremos as lutas orientais, muitas com o princípio de auto-defesa e outras como instrumento de guerra. Assim como entre os gladiadores, muitos praticantes das artes marciais se tornaram símbolos de força e respeito entre seu povo. Enfim, além das atrocidades já mencionadas, no histórico de muitas dessas lutas encontra-se a tentativa humana de se sobressair perante o seu semelhante pela capacidade de agredir e impor-se com ameaças à integridade física alheia.

Assim como na Roma Antiga, o que atraía a atenção do público era a apresentação pública da desgraça alheia. As pessoas da antiguidade comungavam de uma mistura de ojeriza e excitação diante dos resultados da luta. Sangue, quedas, brutalidades, humilhação e, até mesmo, a morte estavam entre os motivos da expectação nos eventos de gladiadores. É essa mesma sensação que move, nos dias atuais, o público do telejornalismo policial, dos reality shows, enfim, dos eventos de MMA da vida. Até aqui, se você é um adepto ou apreciador do MMA, acredito que esteja um tanto inquieto, todavia, desafio-lhe, mais uma vez, a considerar os fatos e algumas análises dos mesmos antes de imprimir os achismos e gostos pessoais. Espero que não pare por aqui, especialmente se deseja conhecer alguns princípios bíblicos que precisamos considerar para analisar melhor o assunto. Por isso, vamos continuar a reflexão.

Na Bíblia, em Êxodo 21.12-14 podemos encontrar o seguinte texto: "Quem ferir um homem, vindo a matá-lo, terá que ser executado. Todavia, se não o fez intencionalmente, mas Deus o permitiu, designei um lugar para onde poderá fugir. Mas se alguém tiver planejado matar outro deliberadamente, tire-o até mesmo do meu altar e mate-o”. O texto que acabamos de ler faz parte das leis dadas por Deus ao povo de Israel, a fim de que esse povo vivesse em conformidade com a vontade divina. O termo ‘ferir’, do hebraico nakah, também pode ser entendido como golpear, bater, atacar, destruir, espancar, abater, entre outros. Pelo texto, parece estar bem evidente que Deus não aprova tal atitude, tanto que propõe dura punição para aqueles que cometerem tal ato. Diante desse texto, como podemos avaliar o ato deliberado de duas pessoas entrarem num ringue com o objetivo de se sobressair por meio de socos, chutes e estrangulamentos? Será que as lutas marciais, especialmente da maneira que são aplicadas no MMA, não se enquadram dentro dessa orientação divina? E essas lutas, são capazes de matar alguém? Certamente que sim, não é mesmo?

Isso significa que não posso nem praticar tais modalidades como um esporte cotidiano? Não estou aqui para imprimir proibições e nem permissões, apenas promovendo uma reflexão, mas me parece que o problema das lutas não está tanto em treinos ou no exercício de defesa pessoal. Parece-me que as lutas começam a ferir o princípio bíblico quando as mesmas são usadas deliberadamente contra outro semelhante, quando para agredir alguém, como no caso do MMA ou até algumas modalidades olímpicas, como o boxe. Na igreja em que estamos, por nossa iniciativa, estimulamos a prática do jiu-jitsu, que é uma das lutas marciais praticadas no MMA, contudo, está bem claro no nosso projeto que não pretendemos formar lutadores, apenas pessoas que desejam se exercitar, aprendendo técnicas de defesa pessoal. Pode parecer muito sutil a diferença entre uma coisa e outra, mas não é, afinal, a simples prática desses exercícios, se proposta apenas como um treino, não objetiva a agressão contra alguma pessoa.

Mas você pode argumentar: ‘Os lutadores estão ali por livre e espontânea vontade, ao contrário, da época dos gladiadores romanos, quando alguns eram colocados nas arenas de maneira compulsória. O objetivo nem é matar alguém! E muitos lutadores até se abraçam depois das lutas, demonstrando amizade e profissionalismo!’ E eu lhe respondo: Realmente isso acontece muitas vezes, só que isso, mesmo sendo verdade, não exclui a lei de Deus exposta na Bíblia! Você também pode argumentar: ‘Mas Deus ordenou o povo dele a matar os inimigos, muitas vezes, sem deixar rastro algum!’. Isso também é verdade, só que você se esqueceu que Deus ordenou batalhas, enfim, a guerra, contra pessoas que não o amavam e queriam, por sua rebeldia, se imporem contra o povo de Deus. Nesses casos de guerra, a violência era necessária para cumprir o propósito de justiça divina, em que os homens eram apenas instrumentos de Deus. Uma coisa é bem diferente da outra. Mas continua a lhe convidar a refletir mais comigo, mesmo que seja para discordar.

Deus disse a Noé: Darei fim a todos os seres humanos, porque a terra encheu-se de violência por causa deles. Eu os destruirei juntamente com a terra” (Gênesis 6:13). O termo hebraico para ‘violência’ é chamas, que dá traz a ideia de agressão física, crueldade, maldade, enfim, algo errado, malicioso. Os textos bíblicos que fazem menção à violência, em momento algum, atribuem o termo a uma coisa que agrada Deus, pelo contrário, é fruto do pecado humano e Deus utiliza-se disso para punir os pecadores de coração rebelde. Portanto, como lidar com a prática comum aos eventos de MMA, que promovem cenas escancaradas de violência mútua? Ou os golpes nas lutas não são violência? Difícil não considera-los assim, não é? A Bíblia faz menção ao procedimento do cristão em várias passagens, dentre elas o ensino de Jesus Cristo: Mas eu lhes digo: Não resistam ao perverso. Se alguém o ferir na face direita, ofereça-lhe também a outra” (Mateus 5:39). Aqui aparece novamente o termo ferir, que no grego rhapizō, quer dizer bater, ferir com as mãos, enfim, agressão contra outra pessoa. Nesse trecho Jesus usa a ilustração da agressão física para condenar a retaliação, ou seja, pagar o mal na mesma moeda. Se o próprio Cristo usa essa ilustração como uma tentativa de ensinar a renúncia pessoal, como poderia uma briga travada em um ringue produzir tal comportamento? Será que ao receber uma pancada, o lutador não alimenta dentro de si um desejo de revidar a agressão? Será que ao ser golpeado ele pensa no próximo como alvo de amor? Precisamos ser sinceros conosco mesmo e com a natureza humana para e responder essa pergunta.

A orientação do apóstolo Paulo a respeito da finalidade do agir cristão, em 1 Coríntios 10.31, diz assim: Assim, quer vocês comam, bebam ou façam qualquer outra coisa, façam tudo para a glória de Deus”. Como acreditar que esbofetear outra pessoa, sufocá-la, chutá-la, tirando sangue da mesma, a ponto de deixa-la desacordada, pode trazer glória a Deus, o criador do ser humano, que foi feito à imagem e semelhança dele mesmo? Sabe o que significa a expressão “imagem e semelhança”? Significa que fomos feitos como representantes de Deus diante de toda a criação, que temos mais valor do que qualquer outra criatura. É isso que traz a dignidade ao ser humano, e não a tentativa do homem de se impor sobre os demais. Se temos alguma dignidade, é porque fomos criados à imagem e semelhança do próprio Deus, o nosso criador. Portanto, durma com esse barulho e tente conciliar essa verdade com a prática competitiva do MMA. É possível dar glória ao criador de todas as coisas indo contra a integridade física da sua mais sublime criação: o ser humano?

Bem, aqui termino a minha breve reflexão, ciente de que o assunto não se esgota nessas linhas acima. Termino essa análise, convidando você, especialmente cristão, a refletir em fatos e não em gostos pessoais e achismos. Obrigado pela disposição de ser desafiado a pensar mais nas implicâncias dos nossos atos e comportamentos. Deus lhe abençoe com a presença maravilhosa do seu Espírito, o único meio de aceitarmos as verdades de Deus para nossas vidas.