Quem sou eu? Talvez esta seja uma pergunta que, a princípio, pareça muito fácil de ser respondida, afinal, julgamos ser pessoas conscientes, com a capacidade mínima de auto-definição. Entretanto, se pararmos para pensar um pouco mais sobre a questão, percebendo as inúmeras variáveis sociais, culturais e psíquicas que nos rodeiam e que influencia a nossa formação, acredito que muitos de nós não arriscaria responder tal questão tão prontamente.
Áreas do conhecimento humano, como a antropologia, a sociologia e a psicopedagogia, dão a entender que somos o resultado da somatória de experiências que nos cercam, desde o nosso nascimento, ou seja, o contexto familiar, religioso, político e sócio-econômico em que estamos inseridos. De certa forma, somos seres influenciados pelo ambiente, contudo, se afirmarmos que somos apenas o fruto do meio, certamente, correremos o sério risco de acreditarmos que não temos uma individualidade capaz de processar tais influências externas em favor de nós mesmos e dos outros.
A internet, a economia globalizada, o alastramento de uma “cultura global”, cada vez mais imediatista, individualista, relativista, humanista e voltada ao prazer, de fato, não podem ser desconsideradas quando somos confrontados com a questão da identidade humana, mas, tanto para aqueles que tiveram um encontro pessoal com Jesus Cristo, o Autor e Consumador da fé (cf. Hb 12. 2) como para aqueles que não passaram por esta experiência, mesmo que não saibam ou não admitam, a definição do ‘quem sou eu’ não consegue ser expressa em sua totalidade, caso se desconsidere o Deus criador, soberano, que tem propósitos eternos para a sua criatura.
Em um mundo repleto de desconstruções de absolutos, ao ser confrontado com a questão ‘quem sou eu’, percebi que Deus nos deixou a Sua Palavra para que encontrássemos absolutos incontestáveis estipulados por Ele mesmo. Dessa forma, algumas verdades absolutas ao meu respeito foram definidas por Deus e posso compartilhá-las com todos que vivem uma crise de identidade, em busca do que são e para que existem.
A primeira verdade ao meu respeito é que existo, que tenho vida, ou seja, fôlego que me permite experimentar as sensações da vida, pois recebi a vida do próprio Deus (cf. Gn 2. 7), que é um Deus todo poderoso, o Alfa e o Ômega Ap 1. 8), único capaz de criar vida e perpetuá-la. Portanto, ainda que homens tentem me convencer de que sou consequência de um processo evolutivo ou de uma auto-existência espontânea sem fins em si, o Deus, meu Pai, pois fui feito filho Seu, em Jesus Cristo (cf. Jo 1. 12; Rm 8. 14-17), com quem me relaciono, mostra-me a origem e o sentido da minha existência.
A segunda verdade a meu respeito é que sou alguém consciente, com vontades e sentimentos, capaz de tomar decisões e de fazer escolhas, pois um dia fui feito à imagem e conforme a semelhança de Deus (Gn 1. 26, 27). O Deus criador me fez alguém que é capaz de se relacionar com Ele mesmo e com as demais criaturas, caso contrário, imagino que seria impossível, a mim e aos demais seres humanos, obedecê-Lo, sem a consciência mínima que me permite escolher entre aquilo que agrada ou desagrada o próprio Deus. Partindo do pressuposto que a obediência só existe a partir da possibilidade da desobediência, acredito que sou consciente – o que me diferencia dos animais e das plantas – para poder exercer um relacionamento que agrade ou não o Criador.
O terceiro absoluto ao meu próprio respeito é que sou homem, um ser sexuado, que recebeu este gênero da parte de Deus para cumprir os Seus propósitos da criação em mim e na vida de uma mulher, que também foi feita com este gênero, para assim ser a minha auxiliadora (cf. Gn 1. 26-28; 2. 18, 23, 24), participando comigo – homem – da mordomia que Deus nos delegou. Ao contrário do que a sociedade pós-moderna dita a respeito de uma sexualidade opcional, em que cada um faz as suas escolhas e que tais escolhas devem ser respeitadas por todos, não posso aceitar as relações entre pessoas do mesmo gênero como algo em conformidade com a identidade que Deus deu a cada ser humano. Se assim fosse o comum, a Palavra de Deus não evidenciaria tais práticas dos seres humanos como consequência de um abandono de Deus (cf. Rm 1. 24-32).
A quarta verdade do meu ‘eu’ mostra-me que desde a minha nascença – assim como todo ser humano – sou pecador (Sl 51. 5), ou seja, marcado pela contaminação do pecado original do homem (cf. Gn 3. 22, 23). Percebi que do mesmo barro que eu sou feito, toda a humanidade, também, é feita e, por causa disso, todos – apesar de indivíduos – comungamos da mesma natureza depravada, que nos distanciou da presença do Deus perfeito, puro, santo (cf. Rm 3. 23). Todavia, assim como por um homem o pecado veio ao mundo e contaminou toda a humanidade, da mesma forma, a vitória sobre a condenação eterna do pecado, veio por um único homem, perfeito, ou seja, Jesus (cf. Rm 5. 12, 18-21). Através do seu sacrifício absoluto e satisfatório, Jesus tirou a condenação do pecado que estava sobre mim e me salvou da morte eterna (cf. Hb 9. 28).
Uma outra verdade absoluta ao meu próprio respeito, refere-se à perspectiva eterna da qual eu já faço parte desde a própria eternidade, ou seja, desde sempre eu fui criado para a eternidade, pelos desígnios eternos do meu Criador. Nesse sentido, enquanto na experiência dessa terra, reconheço em mim, uma luta constante entre o espírito perfeito e a carne corruptível (cf. Rm 7. 15-24), o que me faz, dia após dia, compreender que experimentarei a verdadeira felicidade não nessa terra, mas no dia em que Jesus Cristo nos der um corpo de glória, perfeito (cf. Fp 3. 20, 21). Os homens podem até dizer que isso é loucura ou uma mera teoria que traz conforto para a morte física, todavia, ainda que para estes a mensagem do Cristo ressurreto seja loucura – pois não compreendem as coisas espirituais – para mim, cada dia mais, vem se tornando esperança da glória (cf. 1Co 1. 18).
Olá Pablo, concordo com você nas questões de identidade, ótima colocação. Sou licenciada em Geografia e as vezes sinto falta de textos como o teu no meio cristão.Mas na verdade, ultimamente ando sentindo necessidade de estar no meio de uma comunidade cristã que seja mais perto do padrão de Cristo, aquele que "reúne" as pessoas mais perto uma das outras, baseada no amor e não em uma teologia que "escapa" a realidade da maioria dos cristãos.
ResponderExcluirAbraço, parabens pela iniciativa
LIGIA NUNES, RS