sábado, 10 de novembro de 2012

Encontros com Jesus: Coração de Adorador

O capítulo 4 do evangelho de João nos apresenta um dos mais belos encontros de Jesus relatados na Bíblia. Certa vez, quando Jesus ia de Judá para Galiléia, ao atravessar por Samaria, por volta do meio-dia, parou na cidade de Sicar, junto a uma fonte de água, para descansar e tentar matar a sua sede. Apesar de incomum para o horário, uma mulher se aproximou para pegar água e, Jesus, aproveitando a ocasião, pediu que lhe desse de beber.
Talvez, para nós, hoje, tal atitude não cause nenhum espanto, mas para a época, era improvável que um judeu falaria em público com uma mulher, quanto mais uma samaritana. Os samaritanos e os judeus tinham sérias rixas e a mulher fez questão de relembrar a Jesus da situação.

Aproveitando o rumo pelo qual a conversa tinha tomado, sem mais delongas, Jesus passou a direcionar aquela prosa para o seu objetivo maior: tratar a carência que aquela mulher carregava em seu coração, ou seja, a falta de um relacionamento genuíno com Deus. Contudo, a mulher ainda manteve-se dura, lançando mão de seus conhecimentos religiosos para contestar a Jesus.

Mas Jesus, sabedor de todas coisas e desejoso por apresentar a graça de Deus aos duros de coração, não encerrou a conversa diante da ignorância da mulher, que ainda não havia percebido quem ele era e o que poderia fazer por ela e por seu povo. Pelo contrário, Jesus passou a investir ainda mais fundo no coração daquela samaritana e aos poucos, a mesma – ainda que ignorante em sua religiosidade – foi tendo a oportunidade de perceber que estava diante de alguém diferente, até entender, de uma vez por todas, que estava diante de Jesus Cristo, o Messias aguardado pelos tempos e o salvador da humanidade caída no pecado.

O final desse encontro, que culminou na fé salvífica de muitos daquela cidade, já é conhecido pela grande maioria dos crentes de hoje, mas será que Deus tem mais coisas a nos ensinar por meio dessa passagem? A resposta a essa pergunta é, sim, Deus quer nos ensinar o que é a verdadeira adoração.

Hoje, muitos dos que estão nas igrejas, quer como expectadores ou pró-ativos, assemelham-se muito à mulher samaritana. Não é incomum encontrarmos crentes que conhecem vários princípios do cristianismo, várias passagens das Escrituras, mas ainda não despertaram-se para o que venha ser a água viva de Deus, que nos conduz à adoração agradável ao Senhor.

A água viva de Deus é a suficiência que o relacionamento livre e íntimo com Deus proporciona a alma sedenta do ser humano. A água viva é a presença de Deus em nós, por meio da obra de salvação em Jesus Cristo (Rm 8. 11), satisfazendo toda a carência, toda a sequidão que o pecado um dia trouxe para a nossa alma (Jo 4. 14). E somente quando temos essa fonte de água viva correndo em nosso coração é que podemos entender o que venha ser a adoração que move o coração de Deus.

Assim como a mulher samaritana, religiosa, que pensava que a adoração a Deus se resumia a um rito em um determinado local e tempo, que se opunha a adoração do povo vizinho em Jerusalém, em nossos dias, não é difícil trombarmos com crentes, membros de alguma igreja, que defendem com unhas e dentes as suas placas denominacionais, mas que ainda pensam que a sua adoração se resume nas mãos levantadas ou no joelho dobrado nos cultos dominicais, geralmente, à noite.

Só podemos adorar a Deus em espírito e em verdade (Jo 4. 24), quando o próprio Deus habita em nós e nos leva a desenvolver um coração totalmente dependente do Senhor (Sl 34. 18), livre, cada vez mais, de si mesmo e, cada vez mais, acessível à vontade do Pai. Um coração adorador, é uma vida que, ao se deparar com a santidade, a justiça e o amor de Deus, se prostra diante do Onipotente, despindo-se de toda e qualquer tentativa de andar por si mesmo e de ditar as regras da vida, reconhecendo a sua impureza (Is 6.5).

Em seu encontro com a mulher samaritana, Jesus nos ensina a reconhecermos a nossa necessidade de um relacionamento restaurado com Deus e como nossa vida deve se apresentar diante do nosso Criador e Salvador.
 
 
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